Uma luz sobre a pesquisa Consult para governador
Sou daqueles que defendem o pensamento de que pesquisa de intenção de voto não se discute se analisa. Mas jogando uma luz sobre a primeira pesquisa Consult para governador do Rio Grande do Norte divulgada nesta segunda-feira pela 96FM, três coisas me chamaram a atenção: a primeira o fato do quesito rejeição não constar da avaliação. A segunda, o fato de que quando a pergunta é estimulada com os cinco prováveis candidatos – Henrique Alves, Robinson Faria, Robério Paulino, Araken Farias e Simone Dutra, o percentual de pessoas ouvidas que disseram não votar em nenhum dos candidatos chega a 21%, ou seja, um empate técnico com o segundo colocado na pesquisa, Robinson Faria que obteve 22,88% das intenções de voto. No mínimo uma situação curiosa.
E a terceira coisa que me chamou a atenção foi o fato de que por mais que se tente justificar a não presença no questionário do quesito rejeição – ou seja em qual destes candidatos o Sr (a) não votaria de jeito nenhum – não se justifica, até porque a Consult levou em consideração uma eventual candidatura a reeleição da governadora Rosalba Ciarlini, em uma das hipotéticas situações, hoje com um índice de rejeição muito alto. E todos sabem também que o líder na pesquisa, Henrique Eduardo Alves, também sofre desse problema. Portanto, se a pesquisa levou em consideração também a possibilidade de Rosalba ser novamente candidata, deveria então colocar o índice rejeição na pesquisa, pois toda e qualquer pesquisa de intenção de voto deve constar esse item. Isso é de praxe, até porque na mesma avaliação há o índice de pessoas consultadas que disse não votar em nenhum dos candidatos postos. Sendo assim, o índice de rejeição deveria constar.
Outra: a pergunta “se a eleição para governador e para senador fosse hoje, e o voto fosse em uma chapa completa, em qual dessas chapas o (a) Sr (a) (você) teria mais interesse em votar?” Detalhe: a pergunta é estimulada com a apresentação dos nomes que constam nas chapas de candidatos ao governo e ao Senado. Isso não existe, até porque o voto para governador não é casado com o voto para o Senado. Me parece aí uma forçação de barra.
Mas, como disse no início deste texto, pesquisa de intenção de voto não se discute se analisa. E é sob a luz dos fatos constatados que estou fazendo esta análise e por mais que se tente justificar alguma estranheza na formulação da pesquisa Consult em alguns itens, tal qual a que se refere ao voto numa chapa fechada para governador e Senado, certamente as torcidas do ABC e América juntas irão concordar comigo.
Isso é apenas uma análise de um jornalista que observa a política com um olhar diferenciado. Não é uma análise de um blogueiro.