Uma notícia imoral para um “paladino da moralidade”
O “paladino da moralidade”, senador José Agripino Maia (RN), presidente nacional do DEM, quem diria, empregava fantasma em seu gabinete. A notícia correu Brasil afora neste domingo numa reportagem do jornal O Globo, que acrescentou que o líder democrata só demitiu a servidora após procurado pelo jornal.
Agripino Maia pagava até semana passada mais de R$ 4 mil mensais em seu escritório político no Rio Grande do Norte para uma servidora fantasma. Estudante de Medicina, em vez de trabalhar para o senador em Natal, ela foi fazer um estágio, em agosto de 2011, na Espanha.
Gleika de Araújo Maia é o nome da servidora fantasma, que vem a ser sobrinha do deputado João Maia (PR-RN) e do ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, demitido por manter escondidos os atos de nomeações e benefícios de pessoas protegidas pelos senadores.
Aliás, Agripino sempre prega que sua conduta como político é um exemplo e que ao assumir à presidência nacional do DEM não iria admitir qualquer tipo de coisa que viesse a comprometer a sua moralidade e a do partido. Não bastasse agora o emprego de uma servidora fantasma em seu escritório político, com dinheiro pago pelo contribuinte, o seu amigo e colega de Parlamento, Demóstenes Torres (DEM), outro que se acha também um paladino da moralidade, foi denunciado por ter recebido um presente de Carlinhos Cachoeira, aquele que está preso na Penitenciária de Segurança Máxima em Mossoró (RN). Bom que se diga que o próprio Demóstenes diz ser amigo de Cachoeira.
Cachoeira, só pra relembrar, é aquele que comandava uma quadrilha que explorava a jogatina e desenvolveu uma sofisticada prática de espionagem política, inclusive com interceptações ilegais de e-mails. Na semana passada o juiz Paulo Augusto Moreira Lima, da 11ª Vara Federal de Goiânia, disse ao Correio Braziliense que por deterem informações privilegiadas sobre políticos, o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e seus dois principais comparsas são considerados “arquivos vivos” e correm riscos fora de presídios federais.
No Rio Grande do Norte também, segundo ainda O Globo, o senador Paulo Davim (PV) paga R$ 8,1 mil para a cardiologista Carla Karini de Andrade Costa, sua sócia em uma clínica no estado. Segundo dados do Ministério da Saúde, ela cumpre 50 horas semanais de trabalho no exercício da Medicina. A assessoria de Davim sustenta que 80% dos pronunciamentos do senador na tribuna do plenário versam sobre saúde. E ela seria a consultora técnica. Então tá!
Em tempo: O senador José Agripino Maia, através de sua assessoria, emitiu nota à imprensa sobre a reportagem do Globo. Diz o texto: O senador José Agripino (Democratas RN) informa que a ex-servidora de seu gabinete Gleika Maia, lotada no Rio Grande do Norte, não reside na Espanha, conforme insinua matéria publicada no jornal O Globo deste domingo (11). O presidente do Democratas confirma que a ex-servidora esteve na Espanha durante 15 dias em 2011 e não comunicou ao gabinete em Brasilia. Por esse motivo, foi exonerada no dia em que a chefia de gabinete teve conhecimento do fato.
Obs do blog: Quer dizer que a chefia de Gabinete do excelentíssimo senador só teve conhecimento de que a servidora Gleika Maia passou 15 dias sem dar expediente quando O Globo foi fazer a reportagem? Sim, porque pelo o que diz o jornal a servidora fantasma só foi demitida após o senador ser procurado pelo jornal. Melhor seria ter ficado calado.
Atualizado às 12h32