Vai sobrar pra Mantega
O semblante da presidenta Dilma Ruosseff ontem na abertura da Copa das Confederações em Brasília, em que o Brasil fez o seu jogo de estreia contra o Japão, não era nada agradável. Visivelmente aborrecida com as vaias recebidas dos 67 mil torcedores que compareceram ao Estádio Nacional Mané Garrincha, Dilma ao lado do presidente da Fifa, Joseph Blatter, recebeu uma sonora vaia ao ter seu nome anunciado pelo locutor oficial do evento. As vaias vieram depois de uma semana em que a presidenta teve notícias ruins da economia e de duas pesquisas de opinião pública. Certamente a coisa vai sobrar para Guido Mantega (ministro da Fazenda).
Nos últimos meses Mantega vem se segurando na corda bamba. Aqui e acolá se fala no nome do ex-ministro da Fazenda do governo Lula, Antônio Palocci, para ocupar o cargo do atual ministro. Não duvido que a gota d`água do copo de Dilma tenha transbordo agora, sobretudo, com as vaias levadas em rede nacional e porque não dizer mundialmente.
Com o PIB (Produto Interno Bruto) baixo e o monstro da inflação rondando o Planalto, Dilma sabe que num ano de véspera de eleição em que ela deverá ser candidata a reeleição isso não é nada bom. As pesquisas recentes sobre a avaliação do seu governo comprovam isso. E não adianta tentar tapar o sol com a peneira, pois a oposição já começa explorar isso. Claro que o governo tem tempo suficiente até outubro para não deixar que a inflação vire uma bandeira de campanha, mas é preciso agir rapidamente, ainda mais num momento que eclodem país afora manifestações de todo tipo, desde a do Movimento Passe Livre até a de índios que cobram por suas reservas.
O país vive um momento delicado, embora tenhamos aí A Copa das Confederações que serve como um ópio para o povo brasileiro, embora a presidenta Dilma tenha recebido uma vaia dentro de um estádio de futebol. Para o bem da Nação a seleção brasileira estreou com uma goleada. Mas não esqueçamos o tomate, a batata, o feijão e o preço das passagens do transporte coletivo.
Sobre o último item, bom está atento para o fato de que o reajuste das tarifas do transporte urbana estava previsto para ser dado em janeiro, mas a presidenta Dilma temendo exatamente o aumento da inflação solicitou aos prefeitos principalmente de São Paulo e do Rio de Janeiro que segurassem. Mas agora não havia mais jeito. O reajuste foi dado e os estudantes foram pras ruas protestar.
Te cuida Guido Mantega!