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Editorial

Vale quanto pesa

Ainda ontem escrevi um Editorial sob o título “O problema não são os governos, mas os corvos” onde dizia que quando falo que o problema do Brasil não são os governos, mas os corvos políticos que os cercam, me refiro principalmente àqueles que se aproveitam para cobrar faturas por apoios políticos ou doação de dinheiro em épocas de campanhas, vide as empreiteiras, por exemplo.

Pois é: ontem à noite, em meio a protestos de alguns manifestantes do lado de fora do Congresso, parlamentares aprovaram Projeto de Lei do Congresso (PLN) 36/2014, que altera a meta fiscal para 2014 e teve o texto principal aprovado na semana passada. Em troca, claro, o Planalto publicou um decreto no Diário Oficial de 28 de novembro, em edição extra, liberando R$ 10,03 bilhões do orçamento federal até então contingenciados. Do montante, R$ 444,76 milhões foram reservados para o atendimento de emendas parlamentares individuais – R$ 748,7 mil para cada um dos 594 parlamentares. Ou seja, aí incluindo situação e oposição, obviamente.

Hoje me deparo também com a informação de que o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que sonha em ser ministro da Integração Nacional no próximo governo Dilma, está propondo o aumento de salários dos parlamentares passando dos atuais R$ 26,7 mil para R$ 33,7 mil, de presidente da República e, claro, de ministros de Estado. Enquanto isso o salário mínimo “Ó”!

Mas volto ao título do meu artigo anterior para justificar que os problemas não são os governos, mas os corvos da República. Os governos, ou melhor, o governo faz o seu papel de tentar governar – a velha história da governabilidade – e aí o toma lá da cá da velha e nojenta politicagem. É isso; o governo Dilma se viu aperriado – como se diz no Nordeste – para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e apelou aos nobres deputados e senadores, que em troca exigiram a bagatela de quase R$ 750 mil em emendas parlamentares individuais.

A propósito, o leitor lembra do que relata o juiz Marlon Reis em seu livro “Nobre Deputado” sobre as emendas parlamentares, motivo esse que levou o presidente da Câmara a representar contra o magistrado junto ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça)? Não, não lembra? Vou refrescar a memória do leitor:

Reis diz em seu livro que a cada emenda parlamentar apresentada por um deputado, por exemplo, ele embolsa 70% dos recursos de uma obra a ser apresentada por esta emenda. E aí o que ocorre. Se a duplicação de uma estrada tem o valor real de R$ 1,5 milhão, essa obra será superfaturada chegando a R$ 3 milhões. Daí, desse valor 70% o parlamentar embolsa, tirando 25% para o prefeito em cujo município a rodovia vai passar. Simples assim, não?

Pois é, caro leitor, aí se volta a história dos corvos!

A conferir!

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