Vergonha e imoralidade
O que se poderia dizer mais diante da decisão inédita da Câmara de absolver um deputado condenado e preso por peculato e formação de quadrilha? Eram necessários 257 votos pela cassação. No entanto, o placar terminou 233 sim, 131 não e 41 abstenções. Os que votaram contra ou se abstiveram pela cassação deveriam dar explicações aos seus eleitores e à Nação como um todo.
Para tentar amenizar a decisão esdrúxula da Câmara, o presidente da Casa, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) disse:
– Uma vez que, em razão do cumprimento de pena em regime fechado, o deputado Natan Donadon encontra-se impossibilitado de desempenhar suas funções, considero-o afastado do exercício do mandato e determino a convocação do suplemente imediatamente, em caráter de substituição, pelo tempo que durar o impedimento do titular.
Pela decisão vergonhosa e imoral da Câmara, os deputados José Genoíno (PT-SP), João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT), e Valdemar Costa Neto (PR-SP), todos condenados no processo do mensalão pelo STF (Supremo Tribunal Federal), podem está tranquilos, pois que os ministros entenderam que cabe à Câmara dos Deputados apenas declarar a saída dos congressistas do Poder Legislativo, o que, certamente não irá ocorrer. O corporativismo prevalecerá mais uma vez.
E se forem presos, Henrique terá que adotar a mesma decisão que tomou em relação a Donadon. Do contrário serão dois pesos e duas medidas. Detalhe: o Supremo rejeitou ontem os recursos do ex-presidente do PT José Genoíno e manteve a pena de seis anos e 11 meses de prisão por seu envolvimento no mensalão.
Tudo isso num momento em que as ruas clamam por moralidade na coisa pública. Depois os políticos não venham se queixar. Motivos não faltam para os protestos de rua voltarem com força total. O 7 de setembro está aí mesmo. A conferir!