O PMDB e o gosto pela coadjuvância
O PMDB, não só nacionalmente, mas no Rio Grande do Norte, parece tomou gosto por ser coadjuvante há anos. Entra eleição, sai eleição, e o partido dos Alves no estado não arrisca uma candidatura a cargo majoriátio faz tempo. A última para prefeito de Natal, quando Henrique Eduardo Alves saiu candidato a prefeito perdendo para Aldo Tinoco, já faz mais de 15 anos.
Já falei sobre isso neste espaço, mas volto ao assunto hoje porque o presidente estadual da legenda, deputado Henrique Alves, declarou em entrevista à Rádio 96FM, que a legenda terá sim candidato a sucessão municipal em Natal no próximo ano. Mas fez uma ressalva. O pré-candidato terá que começar a trabalhar já no segundo semestre deste ano para viabilizar sua candidatura, e lembrou, mais uma vez, o nome do deputado Hermano Morais.
Sou amigo dos dois, tanto de Henrique quanto de Hermano, mas se tivesse que dá um conselho hoje a Hermano diria para ele não se lançar pré-candidato. E por que digo isso? Porque o PMDB mais uma vez vai preferir ser coadjuvante. O caminho será apoiar a candidatura do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT) e indicar o seu vice. Tudo caminha pra isso.
É correto dizer que os Alves tratam o PMDB como um partido de família. Isso não é nenhuma novidade, apenas uma constatação. O deputado Walter Alves, filho do senador-ministro Garibaldi Alves Filho, foi descartado pelo próprio pai para ser o nome do PMDB a sucessão de Micarla de Souza (PV). E sabe por que? Porque Garibaldi não quer que o filho se aventure. Walter está sendo preparado para num futuro ser o candidato peemedebista ao governo do estado. Para tanto o primeiro passo será ser presidente da Assembleia Legislativa. Esse é o “caminho natural” para chegar ao Executivo estadual.
Hermano Morais por sua vez , se quiser mesmo ser pré-candidato a prefeito de Natal – um bom nome, diga-se de passagem – terá que primeiro provar sua densidade eleitoral. Depois, se impor principalmente por ser ele presidente municipal da legenda em Natal, embora licenciado. Do contrário, é bom nem colocar o nome como pré-candidato porque terá outra decepção como teve na eleição passada para prefeito em que Garibaldi com o apoio de Henrique o lançaram e depois retiraram para apoiar a deputada Fátima Bezerra (PT).
O PMDB há muito tem esse gosto pela coadjuvância.