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Editorial

R$ 24 mil/mês e sem contribuir, só para poucos

Para garantir uma aposentadoria privilegiada – como a que vem sendo concedida a muitos ex-governadores, no valor de até R$ 24 mil -, um cidadão brasileiro teria de contribuir, a partir dos 25 anos, com R$ 1 mil por mês, no mínimo, num plano de previdência privada. Ainda assim, precisaria esperar até os 79 anos para começar a receber o benefício. Ou seja, enquanto um ex-governador consegue o benefício após quatro anos no cargo, um trabalhador brasileiro precisaria de 54 anos. O cálculo confirma que a remuneração que beneficia ex-titulares dos executivos estaduais, após deixarem o cargo, só é possível para uma parcela muito restrita da população. A informação está hoje em O Globo.

O assunto sem dúvida nenhuma merece uma reflexão dos nossos políticos, embora saiba seja isso muito difícil, até porque, eles, os políticos, legislam em causa própria. Não a toa ser político neste país virou profissão. Quem não quer se aposentar ganhando gordos R$ 24 mil/mês? Até o “paladino da moralidade” , o senador gaúcho Pedro Simon (PMDB) entrou nessa. Ou seja, caiu na vala comum dos políticos.

O curioso é que tem gente que critica o miserável do interior do Nordeste que prefere ganhar as migalhas do Bolsa Família a trabalhar como escravo, por exemplo, na colheita da cana-de-açúcar. Para esses incautos, o “miserável” com isso não quer mais trabalhar, prefere ter o dinheiro do Bolsa Família e tomar a sua cachacinha no botequim da esquina. E daí?

Se o senador Pedro Simon, um ilibado político da Nação brasileira diz que R$ 10 mil é muito pouco para ele sustentar sua família, conforme entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo – Não posso ver minha mulher e filhos olhando os vizinhos viajando pelo mundo e nós não tendo como nos sustentar. Durante os 20 anos ninguém ligava para perguntar os motivos de eu não receber verba de ex-governador, de ex-deputado, de representação. Não mudei meus princípios. Eu até vivia com R$ 10 mil, mas mulher e filho? – o que dirá o “miserável” do interior do Nordeste que ganha menos que o salário mínimo para colher cana-de-açúcar?

Vamos deixar de hipocrisia! A verdade é que a mamata é grande e ninguém, absolutamente ninguém, quer deixar de ser político. Nunca vi falar de um ex-gay, como também nunca vi falar de um ex-político. Aliás, político quando se aposenta deixa um filho seu para substituí-lo. É a herança de pai pra filho.

O negócio é tão bom que quando um político tem seus direitos cassados, passado o tempo da cassação ele volta. Vide Fernando Collor de Mello. Aposto até que Collor tem direito a aposentadoria como ex-prefeito de Maceió e ex-governador de Alagoas. Certamente não deve ter direito a aposentadoria como presidente da República, pois que foi cassado. Do contrário…

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