Tudo nos conforme, apesar dos “russos”
O script já estava elaborado. Os atores já encenados. A platéia conformada. Enfim, o palco todo montado para o grande espetáculo. O deputado Hermano Morais (PMDB) retirou o seu nome para concorrer ao cargo de 1º secretário da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte. Isso logo pela manhã. O deputado Raimundo Fernandes que inscreveu seu nome para concorrer a dois cargos – confesso que não sabia que podia isso -, para 1º e 2º secretário, acabou aos 45 minutos do segundo tempo retirando também o nome para concorrer à primeira secretaria. Tudo como o planejado, sem traumas e em nome do “consenso”. Será?
Enfim, um filme repetido a cada eleição da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa do RN. Só mudam alguns atores. Muitas vezes os mesmos, apenas revezando cargos. Parece mais aquele programa da Globo “Vale a pena ver de novo”. O fato é que foi todo um suspense criado em torno da votação, sem nenhum percalço de última hora. Nem foi preciso uma nova intervenção da “Liga dos Alquimistas, Redondos e Escorregadios”, pois que tudo já estava combinado antecipadamente. Tudo nos conforme, apesar dos “russos”.
Para alegria geral da Nação eís que a chapa de “consenso” foi formada contemplando os partidos com maiores bancadas na Casa, ficando assim a composição da Mesa Diretora: Ricardo Motta – presidente – PMN; Gustavo Carvalho – 1º vice-presidente- PSB; Leonardo Nogueira – 2º vice-presidente – DEM; Poti Jr. 1º secretário – PMDB;
Raimundo Fernandes – 2º secretário – PMN; Vivaldo Costa – 3º secretário -PR e; Nelter Queiróz – 4º secretário- PMDB.
Vejam só. Tudo isso em nome da pacificação da Assembléia Legislativa, como se a Casa estivesse vivendo um grande conflito tal qual o Egito vive agora. Entre uma encenação e outra, a “paz” voltou a reinar no Palácio José Augusto após a palavra consenso ter sido tão usada e desgastada pelos nossos parlamentares.
Esqueceram apenas de uma coisa. Combinar com os russos, como dizia Garrincha para o técnico Feóla, da seleção brasileira de 58. Ou seja. Com os novatos ou o “baixo clero, se fosse na Câmara dos Deputados. Daí o tal “consenso” não ter sido tão consenso asssim.
Os “russos” ainda estribucharam, mas de nada adiantou.
Que o diga o deputado socialista Luiz Antonio, o Tomba.
Aliás, a bem da verdade, o deputado Fernando Mineiro (PT) fez seu protesto contra o que chamou de “conchavo de gabinete”, ou seria “consenso de gabinete”?
E Zé Dias, do PMDB, disse que Henrique deu um “golpe de Estado”, numa clara referência as articulações para a formação da Mesa Diretora, o que deu um ar de discórdia, mas não chegou a afetar as ações em nome da “pacificação” da Casa.
Raimundo Fernandes também reclamou do que chamou de interferências externas no processo.
Afora esses desabafos, o “consenso” prevaleceu.
Detalhe: Nem um deputado de primeira viagem foi escolhido para fazer parte da Mesa Diretora. Colocaram a bruaca dentro da sacola e bateram em retirada, exceto Fábio Dantas (PHS) que disputou a 4ª secretaria com Nélter Queiroz (PMDB). Como perdeu apenas por um voto a decisão vai para segundo turno que acontecerá no próximo dia 16, após a volta dos trabalhos legislativos.