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Eleição de Natal será bipolarizada entre um discurso conservador e outro progressista

Num outro momento já tive oportunidade de falar sobre a bipolarização da eleição municipal em Natal, quando da retirada de outras candidaturas, tais como a de Luiz Almir (PSDB), e mais recentemente de Hermano Morais (PMDB). Embora Rogério Marinho (PSB) insista em resistir com a sua pré-candidatura, vai chegar o momento em que ela mais cedo ou mais tarde vai sucumbir. 

Daí acreditar que vão sobrar somente Micarla de Souza (PV), apoiada pelo senador José Agripino Maia (DEM), e os deputados Robinson Faria (PMDN) e João Maia (PR), este último, federal, e Fátima Bezerra (PT), tendo no seu palanque a governadora Wilma de Faria (PSB), o prefeito Carlos Eduardo Alves (PSB), e o senador Garibaldi Alves (PMDB).

Ou seja: a bipolarização da campanha terá dois discursos distintos: um conservador, o de Micalra de Souza, até pelo seu palanque, e outro absolutamente progressista, o de Fátima Bezerra que poderá contar até com a presença fundamental do presidente Lula, já que a base da aliança é formada por três dos principais partidos que dão sustentação ao seu governo. O PT, o PSB e o PMDB.

Alguns podem argumentar que o discurso de Micarla de Souza não é conservador, pois ela representa o PV, que inclusive faz parte também do governo Lula, com o ministro Gilberto Gil a frente da pasta da Cultura. Certo. Mas é preciso entender que ao seu lado estará o senador José Agripino, hoje um dos maiores expoentes da oposição e um crítico contumaz do governo Lula. Sua escola é predominantemente conservadora. Agripino iniciou sua carreira política no extinto PDS, um embrião da direita conservadora deste país.

Além do mais, a deputada Micarla de Souza teve em seu pai, o saudoso senador Carlos Alberto de Souza, um espelho na política. Carlos Alberto sempre foi ligado à direita conservadora. E como seu pai, a deputada Micarla de Souza incorporou o populismo.

Já a deputada Fátima Bezerra, iniciou a sua vida política no movimento sindical. Suas raízes estão fincadas na luta pela melhoria das condições de vida da classe trabalhadora, sobretudo dos profissionais do magistério. Não pertence a nenhuma oligarquia no Rio Grande do Norte e não tem sobrenome ligado a nenhum político do estado, ao contrário de Micarla, que tem sobrenome Souza.

Por isso entendo ser essa uma eleição em que de um lado o discurso conservador e populista vai predominar. E do outro, o discurso progressista. Até porque a tendência é que a eleição seja federalizada, sendo assim um azimute a mais para a diferenciação entre os dois discursos.

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