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Em editorial extra, Globo defende investigação rigorosa sobre o elo Flávio-Vorcaro

Está no Brasil 247

O jornal O Globo publicou um editorial [1] em que defende o aprofundamento das investigações sobre a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e apontado como pivô de um dos maiores escândalos financeiros do país. Segundo o texto, as mensagens reveladas nos últimos dias demonstram uma “proximidade incomum” entre o parlamentar e o empresário.

O editorial destaca que Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, solicitou recursos a Vorcaro para financiar “Dark Horse”, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. Conforme reportagem do Intercept Brasil citada pelo jornal, os repasses teriam começado em 2025 e alcançado US$ 10,6 milhões — cerca de R$ 61 milhões na cotação da época — de um total acertado em US$ 24 milhões.

Nas conversas reveladas, os dois se tratam por “irmão” e discutem atrasos nos pagamentos. Em um áudio mencionado pelo jornal, Flávio afirma que a produção atravessava uma fase decisiva e que já havia “muita conta para pagar”. Em outra mensagem enviada em novembro, o senador escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”.

Cinco dias antes de o Banco Central barrar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília, em setembro, Flávio afirmou a Vorcaro saber que ele passava por um “momento dificílimo”. O editorial ressalta que, naquele período, o senador dizia estar constrangido em cobrar os recursos, mas insistia na necessidade de continuidade do financiamento do longa-metragem.

Prisão de Vorcaro e suspeitas sobre os recursos

Segundo o texto de O Globo, em 17 de novembro Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal ao tentar embarcar para o exterior. Ele é acusado de participação na maior fraude bancária da história do Brasil. Após a operação, o Banco Master acabou liquidado pelo Banco Central.

O jornal afirma que Flávio Bolsonaro omitiu dos eleitores sua proximidade com Vorcaro enquanto cobrava investigações sobre adversários políticos envolvidos no caso Master. Em sua defesa, o senador alegou ter buscado apenas patrocínio privado para um filme sobre a trajetória do pai.

“Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”, declarou Flávio. O senador acrescentou: “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem.”

Para o editorial, no entanto, as explicações são insuficientes. O texto sustenta que as dificuldades financeiras do Banco Master já eram conhecidas desde 2024, período em que a instituição buscava compradores e enfrentava questionamentos sobre sua situação financeira.

Conflito de interesses e necessidade de apuração

O editorial lembra ainda que, em agosto de 2024, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) apresentou proposta de interesse do Banco Master ampliando a garantia do Fundo Garantidor de Créditos para R$ 1 milhão. Na avaliação do jornal, o fato de Flávio Bolsonaro ser senador da República e votar matérias relacionadas ao sistema financeiro já configuraria potencial conflito de interesses em sua relação com Vorcaro.

Outro ponto levantado é o volume expressivo de recursos destinados ao filme “Dark Horse”. Segundo o jornal, os valores seriam suficientes para financiar múltiplas produções nacionais de grande porte. Diante disso, o editorial defende investigação para esclarecer se todo o dinheiro foi efetivamente aplicado na produção cinematográfica ou se parte dos recursos teve outro destino.

O Globo conclui afirmando que Flávio Bolsonaro deve ter assegurada a presunção de inocência, mas sustenta que os indícios apresentados justificam uma investigação aprofundada por parte das autoridades.

Fotos: Folha do ABC

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