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Em biografia sobre Jair Bolsonaro publicada em 2017, o senador e candidato à Presidência pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, apresenta posições favoráveis à ditadura militar, nega que tenha ocorrido um golpe em 1964, elogia o coronel e torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra e questiona a segurança das urnas eletrônicas. As informações são do jornal Folha de São Paulo. [1]
A obra, com quase 200 páginas, percorre a trajetória de Jair Bolsonaro desde o nascimento até 2016. Ao longo do livro, Flávio defende opiniões próprias e também procura justificar declarações e posições adotadas pelo pai, além de criticar a forma como a imprensa trataria manifestações do ex-mandatário.
Entre os temas abordados estão a ditadura militar, os direitos humanos, o chamado “kit gay”, a redução da maioridade penal, a castração química de estupradores e a proposta conhecida como Escola sem Partido. Algumas dessas ideias também aparecem no programa de campanha de Flávio para as eleições de 2026.
Ditadura militar
No livro, Flávio rejeita a interpretação de que a ofensiva de 1964 tenha representado um golpe militar. Ele questiona a versão apresentada nos livros do Ministério da Educação e afirma que o afastamento de João Goulart ocorreu com respaldo do Congresso. “Que golpe foi esse em que o Congresso, com respaldo constitucional, afasta um presidente?”, escreve.
O senador também afirma que os militares deveriam ser reconhecidos como heróis nacionais por, segundo sua interpretação, terem impedido que o Brasil se transformasse em uma “ditadura socialista”. Ao tratar da Lei da Anistia, Flávio afirma que ela “serviu apenas os terroristas” e sustenta que agentes do Estado continuariam sendo perseguidos.
A Comissão Nacional da Verdade também é criticada na obra. O senador a classifica como uma iniciativa revanchista e afirma que grupos que tentaram implantar uma ditadura do proletariado foram “barrados pela sociedade”. Em outro trecho, Flávio afirma que havia eleições durante o período que, segundo ele, “alguns gostam de chamar de ditadura”.
Elogio a Ustra
A biografia também aborda a homenagem feita por Jair Bolsonaro ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra durante a votação do golpe contra Dilma Rousseff, em 2016. Ustra foi reconhecido como torturador pela Justiça. No livro, Flávio afirma que o coronel era “um homem correto, íntegro, que cumpriu seu papel de defender a pátria”.
O senador também questiona a responsabilidade do Exército pela morte do ex-deputado Rubens Paiva. O Estado brasileiro reconheceu posteriormente que Paiva morreu em decorrência da repressão promovida pela ditadura.
Massacre do Carandiru
Outro episódio tratado na obra é o massacre do Carandiru, ocorrido em São Paulo em 1992 e que deixou 111 presos mortos. Flávio sustenta que os policiais envolvidos na operação agiram em legítima defesa e menciona os antecedentes criminais de parte dos mortos.
“Quantos milhares de novas vítimas esses marginais poderiam ter feito?”, questiona o senador no livro. A obra também apresenta uma visão crítica sobre os direitos humanos. Flávio afirma que a percepção de que essa política serviria para proteger criminosos não teria sido criada por Jair Bolsonaro.
Questionamentos sobre as urnas
A desconfiança em relação às urnas eletrônicas também aparece no livro publicado em 2017. Flávio reconhece que o sistema havia sido bem recebido inicialmente, por reduzir possibilidades de fraude existentes no processo de votação em papel, mas afirma que as suspeitas cresceram posteriormente.
No texto, ele questiona a possibilidade de comprovar a ocorrência ou a inexistência de fraude e defende a adoção do voto impresso como instrumento de transparência. “Se não há como provar que houve a fraude, como provar que ela não aconteceu?”, escreve.
A posição apresentada na biografia permanece associada à atuação política de Flávio. O senador voltou a apresentar informações falsas sobre as urnas eletrônicas durante um encontro recente com diplomatas.
Defesa de Jair Bolsonaro
Em diversos trechos, Flávio procura afastar do pai acusações de racismo e homofobia e argumenta que declarações controversas de Jair Bolsonaro são frequentemente retiradas de contexto.
O senador também trata processos e tentativas de cassação enfrentados pelo ex-mandatário como formas de perseguição. Na obra, afirma que as posições consideradas polêmicas de Bolsonaro seriam autênticas e não estariam submetidas ao que chama de “ditadura do politicamente correto”.
Em outro trecho, critica a imprensa e escreve: “O tempo passa, o tempo voa, mas a maior parte da imprensa permanece esquerdista”.
Foto reproduzida da Internet