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Em meio a críticas de Lula sobre a Selic, e sob o comando de Roberto Campos, BC deve interromper nesta quarta ciclo de cortes e manter juros em 10,50%

Está no g1

O Comitê de Política Monetária (Copom [1]) do Banco Central (BC) se reúne nesta quarta-feira (19) e deve interromper o ciclo de corte da taxa básica de juros, que vem desde agosto do ano passado, segundo a projeção de analistas do mercado financeiro. [2]

Se confirmada a manutenção da taxa Selic, ela permanecerá em 10,50% ao ano, o menor nível desde fevereiro de 2022, ou seja, em pouco mais de dois anos. No atual patamar, a taxa brasileira é alta na comparação internacional. [3]

A decisão do Copom, formado pela diretoria e pelo presidente da instituição, Roberto Campos Neto, será tomada em meio ao fogo cerrado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva [4] (PT) — que subiu o tom das críticas ao tamanho da taxa de juros nos últimos dias. [5]

“Só temos uma coisa desajustada neste país: é o comportamento do Banco Central. Essa é uma coisa desajustada. Presidente que tem lado político, que trabalha para prejudicar o país. Não tem explicação a taxa de juros estar como está”, declarou Lula nesta terça-feira (18).

Lula afirmou ainda que o Brasil não pode continuar com juros “proibitivos”, que inibam os investimentos produtivos, o crescimento do país e a geração de empregos.

Na última semana, o Banco Central informou que o lucro líquido dos bancos subiu para R$ 144,2 bilhões em 2023, e bateu novo recorde histórico. [10]

Como as decisões são tomadas

Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a alta dos preços, no sistema de metas de inflação, o Banco Central olha para o futuro, e não para a inflação corrente, ou seja, dos últimos meses.

Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia. Neste momento, a instituição já está mirando na meta deste ano, e também para o segundo semestre de 2025 (em doze meses).

“Na inflação, após dois meses de resultados relativamente benignos, o IPCA de maio trouxe uma surpresa desfavorável, com uma deterioração dos serviços, com o núcleo do segmento e dos serviços intensivos em mão-de-obra (além da média geral dos núcleos) acelerando e ficando acima do previsto. As expectativas de inflação continuaram um processo de desancoragem relevante [das metas], contaminando períodos para além do horizonte relevante atual do Copom [até 18 meses] e, portanto, sinalizando perda de credibilidade da autoridade monetária”, avaliou o BTG, em análise.

Eventos dos últimos meses

As expectativas de inflação deste ano e de 2025 começaram a subir com mais intensidade após alguns eventos que aconteceram na economia nos últimos meses. São eles:

Além da expectativa de pressões inflacionárias maiores no Brasil, também contribui para uma política de juros mais conservadora no país, segundo analistas, a demora do BC norte-americano (o Federal Reserve) de iniciar as reduções nos Estados Unidos – o que diminui o espaço para cortes no Brasil.

Foto reproduzida da Internet


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