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A Polícia Federal [1]determinou, por meio de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que o ex-ministro da Justiça de Bolsonaro [2] e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres [3], devolve os salários [4] que recebeu como delegado federal no período em que esteve preso [5]. Ao todo, Torres esteve detido por 117 dias, acusado de ser omisso em relação aos atos golpistas de 8 de janeiro [6] que destruíram as sedes dos três poderes em Brasília.
Torres ganha todo mês um salário de aproximadamente R$ 30 mil reais como delegado federal. O total requisitado de volta pela PF está na casa dos R$ 120 mil. Ainda não há maiores informações sobre como e quando os valores serão devolvidos.
O bolsonarista é acusado de cometer ilegalidades pelo processo interno da corporação. A decisão que pede a devolução dos salários se baseia em nota técnica do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, de 2013, que prevê, em caso de prisão preventiva, suspender os pagamentos do servidor.
O advogado Eumar Novacki, que representa Torres, disse ao jornal O Globo que desconhece a decisão, mas que se a informação for procedente, tomará as medidas cabíveis assim que notificado.
Torres acabava de tomar posse como secretário de Segurança Pública do Distrito Federal e estava de férias com a família na Flórida, nos EUA, em janeiro, quando ocorreram os ataques. Ele seguia por lá dias depois, quando teve sua prisão decretada. Na volta para o Brasil, foi preso. Ele é acusado de sabotar os esquemas de segurança da capital que buscavam resguardar a cidade de possíveis ataques golpistas.
No último mês de maio o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu por soltar Torres. Ele considerou que manter o bolsonarista preso não seria mais necessário ao prosseguimento das investigações. Torres agora está usando tornozeleira eletrônica e proibido de deixar sua residência no período noturno e aos finais de semana, além de também não poder manter perfis nas redes sociais ou contato com outros investigados.