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O presidente Luiz Inácio Lula [1] da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (23) que o combate à desigualdade deve ter tanta prioridade quanto a questão climática. A declaração foi em discurso na Cúpula sobre Novo Pacto de Financiamento Global [2], em Paris, na França.
Ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron [3], Lula disse não ser “possível” que, “em um reunião entre presidentes de países importantes, a palavra desigualdade não apareça”.
“Eu vim aqui para falar que, junto com a questão climática, presidente Macron, nós temos que colocar a questão da desigualdade mundial. Não é possível que numa reunião entre presidentes de países importantes, a palavra desigualdade não apareça. A desigualdade salarial, a desigualdade de raça, a desigualdade de gênero, a desigualdade na educação, a desigualdade na saúde”, disse.
“Ou seja, nós estamos num mundo cada vez mais desigual e, cada vez mais, a riqueza está concentrada na mão de menos gente. E a pobreza concentrada na mão de mais gente. Se nós não discutirmos essa questão da desigualdade, e se a gente não colocar isso com tanta prioridade quanto a questão climática, ou seja, a gente pode ter um clima muito bom e o povo continuar morrendo de fome em vários países do mundo.”
Lula citou feitos de seus dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010, e dos de Dilma Rousseff (PT), entre 2011 e 2016, e disse que, recentemente, o Brasil “andou para trás, como muitos outros países andaram para trás”.
“Depende do governo que é eleito, depende do governo que tem a preocupação com a questão social”, disse.
Críticas ao FMI [4]
No discurso, o presidente brasileiro também fez críticas ao Fundo Monetário Internacional (FMI), organização criada após a Segunda Guerra para reestruturar as economias de países pós-conflito. Hoje, a instituição oferece empréstimos a nações em dificuldade financeira.
Para Lula, “aquilo que foi criado depois da Segunda Guerra Mundial, as instituições [..] não funcionam mais, e não atendem mais as aspirações e nem os interesses da sociedade”.
“Vamos ter claro que o Banco Mundial deixa muito a desejar naquilo que o mundo aspira do Banco Mundial. Vamos deixar claro que o FMI deixa muito a desejar naquilo que as pessoas esperam do FMI”, disse.
O presidente citou empréstimos feitos pela Argentina, e disse que o FMI agiu de forma “irresponsável”, e que essas instituições “não podem continuar” atuando de “forma equivocada”.
“E muitas vezes os bancos emprestam dinheiro e esse dinheiro emprestado é o resultado da falência do Estado. É o que estamos vendo na Argentina hoje, Argentina, da forma mais irresponsável do mundo, o FMI emprestou 40 bilhões de dólares, 44 bilhões de dólares, para um senhor que era presidente. Não se sabe o que ele fez com o dinheiro. e a Argentina hoje está passando uma situação econômica muito difícil, porque não tem dólar nem para pagar FMI.”
Lula é aliado do atual presidente da Argentina, Alberto Fernández, e contrário ao antecessor dele, Maurício Macri, que governo o país entre 2015 e 2019.
O presidente brasileiro tem feito esforços para ajudar o governo vizinho e Lula, inclusive, tem um encontro com Fernández em Brasília, na próxima segunda-feira (26) [5].
Foto: Ricardo Stuckert