Está no Blog da Andréia Sadi
Fontes do Itamaraty [1] ouvidas pelo blog relatam que sentimento é de que foi criada uma “emboscada” para Meyer em reprimenda que veio após declaração de Lula feita no domingo (18), comparando ações de Israel na Faixa de Gaza ao extermínio de judeus na Segunda Guerra.
Na reunião entre Mauro Vieira e o embaixador israelense no Brasil, Daniel Zonshine, não se falou em retratação nem desculpas por parte do Brasil. Segundo a fonte ouvida pelo blog, o foco foi justamente demonstrar inconformismo e desconforto do tratamento ao embaixador brasileiro.
A emboscada, na visão do Itamaraty, se deu porque expuseram Meyer ao chanceler israelense falando em hebraico, sendo que Meyer não fala o idioma.
Em nota, a embaixada de Israel disse que durante toda a reunião entre o ministro de Relações Exteriores de Israel e o embaixador Frederico Meyer havia a presença de uma intérprete para português-hebraico (veja íntegra abaixo).
Na visita de Solzhine ao Rio, O Itamaraty colocou à disposição um intérprete para ele, caso quisesse falar e ouvir em Inglês. Mas não foi necessário, pois ele avisou que falaria português. A disponibilidade de um tradutor foi um “tapa com luva de pelica” de como se faz diplomacia após a cena vexaminosa a que submeteram Meyer.
“Aquilo ali não existe em manual diplomacia algum”, completa uma fonte sobre a reprimenda a Meyer, explicando que o chanceler israelense falou à imprensa em idioma local, proferindo ataques ao presidente brasileiro.
Após a escalada da tensão e reprimenda pública, o governo brasileiro mandou Meyer voltar de Tel Aviv [2] para o Brasil. Chamar um embaixador de volta, como fez o Brasil, é uma medida considerada dura nas relações internacionais. É uma sinalização de que o país quer ouvir esclarecimentos de seu diplomata a respeito de uma atitude considerada hostil efetuada pela outra nação.
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Ainda de acordo com a fonte do Itamaraty, Lula não pensava em chamar o embaixador ao Brasil, mas a decisão ocorreu após Israel subir o tom contra o Brasil.
Caso não escale por parte de Israel e a situação se acalme no Brasil, Meyer pode voltar a ocupar o seu cargo em Tel Aviv. A decisão ainda será tomada.
Íntegra da nota da embaixada de Israel
“Em relação ao idioma utilizado na reunião entre o Ministro de Relações Exteriores de Israel e o Embaixador Frederico Meyer, esclarecemos que durante toda a duração da reunião houve a presença de uma intérprete para português-hebraico.
A intérprete foi a diplomata de Israel Vivian Aisen, que nasceu e cresceu no Brasil antes de se mudar para Israel e adquirir cidadania israelense.”
Foto reproduzida da Internet