Está no Globo
Os passageiros de ônibus de São Paulo são uma espécie de “sócio majoritário” do sistema de transporte coletivo. Na divisão das despesas do setor, são eles quem financiam cerca de 70% de todo o custo do serviço com o pagamento da tarifa. Neste ano, a arrecadação será de cerca de R$ 4,5 bilhões. A prefeitura entra com R$ 1,2 bilhão de subsídio, que representa 20% do total das despesas do sistema. O restante, cerca de 10%, é bancado pelo setor privado com o pagamento de vale-transporte.
Para transportar 2,9 milhões de pessoas em quase 14 mil ônibus, São Paulo gastará, em 2013, R$ 5,7 bilhões. A aplicação desses recursos é historicamente pouco transparente. Entra gestão, sai gestão, as tarifas são reajustadas, o subsídio cresce, mas a população não vê melhora no serviço. O próprio prefeito Fernando Haddad (PT) referiu-se às contas do transporte como “caixa- preta”. – Fala-se em caixa-preta. Eu odeio caixa-preta. Se eu gostasse de caixa-preta eu não traria um controlador geral para me auxiliar no combate à corrupção – disse Haddad para quem “as coisas não estão bem equacionadas do ponto de vista financeiro”.