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O senador e ex-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode ter deixado o Brasil às escondidas por meio de uma rota alternativa rumo aos Estados Unidos a bordo de uma aeronave executiva, com decolagem na madrugada desta terça-feira (27) a partir de Puerto Iguazú, na província de Misiones, na Argentina, informa o portal Infobae [1]. A manobra internacional ocorre logo após o próprio parlamentar tornar público que foi alvo de sanções do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinaram a apreensão de seus passaportes e impuseram proibição expressa de saída do território nacional.
A travessia da fronteira rumo ao país vizinho teria ocorrido por via terrestre com o uso de seu documento de identidade civil. Ao chegar ao município argentino, o parlamentar teria embarcado em um jato Gulfstream G400, prefixo LV-JQW, operado pela empresa Baires Fly S.A. A operadora de táxi aéreo encaminhou às autoridades aduaneiras e de migração locais a solicitação de liberação para uma comitiva formada por quatro passageiros e três tripulantes.
Registrada na Argentina em nome da Baires Fly S.A. desde 25 de setembro de 2020, a aeronave de modelo 2004 foi produzida pela Gulfstream Aerospace, possui 14 assentos, dois motores Rolls-Royce Tay e alcance de voo projetado entre 7mil e 7,8 mil quilômetros. O histórico do avião inclui registros prévios nos Estados Unidos e no México sob os prefixos N524GA, N522AC, N522AG, XA-CHG e N152GA. A estrutura diretiva da empresa responsável pelo voo é composta por Luis Grande na presidência, María Belén Grande Ratti na vice-presidência e María Florencia Grande Ratti como diretora suplente.
O cerco judicial contra o parlamentar intensificou-se após o encerramento do segundo turno das eleições presenciais, no qual o presidente Lula (PT) foi eleito com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% obtidos pelo candidato derrotado. Diante do resultado nas urnas, o senador não reconheceu o pleito e indicou que solicitaria a anulação da votação, alegando que a extensão do horário de votação no domingo (25) teria favorecido a candidatura vitoriosa.
Na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro relatou ter sido abordado por agentes da Polícia Federal logo após deixar a residência de seu pai, em Brasília, para notificação de despacho assinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
“Me ordenaram ali mesmo, na rua, que entregasse meus passaportes, e além disso tenho proibido sair do país”, declarou o senador em vídeo veiculado em suas redes sociais.
As restrições impostas estão vinculadas a inquéritos que apuram suposto esquema de lavagem de dinheiro e conexões com o advogado Willer Tomaz, também investigado por movimentações financeiras no setor de apostas. As apurações abrangem suspeitas de corrupção na captação de recursos para o filme Dark Horse, além de uma segunda investigação no STF sobre ocultação de bens. O congressista nega qualquer irregularidade em ambos os casos.
Durante suas declarações públicas, o parlamentar tentou dissociar sua situação de manifestações de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), sobre deixar o país em caso de derrota eleitoral. “Eu nunca disse isso. Isso é motivo para me tirar o passaporte?”, questionou o senador. O Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal não emitiram posicionamento imediato sobre o caso.
Apesar de supostamente ter viajado ao exterior sem autorização da Justiça, o senador sustentou no mesmo pronunciamento que manteria sua atuação na oposição política. “Para resistir ao caos, vou organizar a oposição”, afirmou no vídeo publicado. “Vou entregar meus passaportes e vou me defender desta aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar”, concluiu o congressista.
Foto reproduzida da Internet