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Está no Blog do Luís Nassif

– Quando FHC saiu do governo, escrevi um artigo “Uma obra da arte política”, descrevendo a habilidade de estratégia de governabilidade de FHC – e o desperdício de não ter sido utilizada para um plano de desenvolvimento amplo.

A estratégia consistia em cooptar chefes regionais com migalhas de poder, mantendo incólumes os pilares centrais do governo. Essa era apenas a perna conhecida do modelo criado por FHC.

O ponto central era o controle estrito sobre o Ministério da Fazenda e toda a estrutura debaixo dele – Banco Central, Comissão de Valores Imobiliários e Secretaria da Receita Federal.

Não se tratava apenas de manter o controle técnico sobre a economia. Era nesses ambientes que se fortalecia a perna oculta do sistema de poder montado: a criação de um modelo sistêmico de aliança com o crime organizado [de colarinho branco], que se expandia na indústria de offshores, de bancos de investimentos, de gestores de recursos.

A maneira como Gustavo Franco autorizou as operações do Banco Araucária, as operações com leilões da dívida pública [sempre com dúvidas sobre sua transparência], o caso emblemático do Banco Santos – desde 1994, um banco quebrado que, mesmo assim, enviava centenas de milhões de dólares para o exterior, com autorização do Banco Central – e, especialmente, o caso do Opportunity, demonstravam uma ampla cumplicidade entre autoridades e transgressores. A estrutura de fiscalização do Estado ficou totalmente amarrada pelas ordens que emanavam do centro do comando financeiro do governo.

Obs do blog: O trecho acima faz parte do artigo “O Sistema Brasileiro de Inteligência e o jogo político” escrito pelo jornalista Luís Nassif. Quem não teve a oportunidade de ler, sugiro a leitura.

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