A sociedade pedófila e o silêncio dos inocentes [1]
Arcebispo afirma: ‘A sociedade atual é pedófila’ – O Globo [2]
BRASÍLIA – No primeiro dia da 48ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, instaurou uma grande polêmica ao falar sobre as denúncias de pedofilia contra padres. Presidente da comissão responsável pelo tema principal da reunião — a missão da Igreja no mundo -, Dom Dadeus disse que “a sociedade é pedófila”. Para ele, o abuso sexual de crianças e adolescentes é mais frequente entre médicos, professores e empresários do que entre sacerdotes.
” Antigamente não se falava em homossexual. Quando começa a (dizer) que eles têm direitos, direitos de se manifestar publicamente, daqui a pouco vão achar os direitos dos pedófilos “
– A sociedade atual é pedófila, esse é o problema. Então, facilmente as pessoas caem nisso. E o fato de denunciar isso é um bom sinal – disse.
Dom Dadeus, de 73 anos, criticou a liberalização da sexualidade por “gerar desvios de comportamento”, entre os quais a pedofilia. Para ele, assim como homossexuais conquistaram mais espaço e direitos, o mesmo poderá ocorrer com pedófilos.
– Quando a sexualidade é banalizada, é claro que isso vai atingir todos os casos. O homossexualismo é um caso. Antigamente não se falava em homossexual. E era discriminado. Quando começa a (dizer) que eles têm direitos, direitos de se manifestar publicamente, daqui a pouco vão achar os direitos dos pedófilos – disse.
O arcebispo foi escalado pela CNBB para conceder a primeira entrevista coletiva da conferência, com outros três bispos. Dom Dadeus deixou claro que o abuso sexual de crianças e adolescentes é crime e deve ser punido. Mas admitiu que a Igreja tem dificuldade de cortar a própria carne, ao lidar com denúncias contra religiosos. Segundo ele, punições internas são adotadas, mas denunciar os casos à polícia é mais complicado:
– A Igreja ir lá acusar seus próprios filhos seria um pouco estranho.
Dom Dadeus disse que, na Alemanha, apenas 0,2% dos abusos sexuais contra crianças foram praticados por sacerdotes. Ele crê que os casos de pedofilia viraram um calcanhar de Aquiles e estão servindo para quem quer atacar a Igreja e valores como a castidade:
– Há uma anomalia na sociedade humana e que deve ser corrigida. Agora, não é justo dizer que só a Igreja que tem. Não é exclusividade da Igreja. A Igreja é 0,2%.
” Nós sabemos que o adolescente é espontaneamente homossexual. Só depois, se não houve uma boa orientação, isso se fixa “
Conhecido por suas posições conservadoras, o arcebispo afirmou que a homossexualidade é inata apenas em pequena parte dos gays. Na outra parte, segundo ele, a opção sexual é resultado da educação recebida:
– Nós sabemos que o adolescente é espontaneamente homossexual. Menino brinca com menino, menina brinca com menina. Só depois, se não houve uma boa orientação, isso se fixa. Então, a questão é: como vamos educar nossas crianças para o uso da sexualidade que seja humano e condizente?
Indagado sobre a afirmação de dom Dadeus de que a sociedade é pedófila, o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, porta-voz da 48ª Assembleia, reagiu:
– É uma afirmação complicada, tem que ter dados para verificar isso.
Para dom Orani e o bispo de Araçuaí (MG), dom Severino Clasen, os abusos envolvendo padres são parte de problema que atinge diversos segmentos.
– Isso nos frustra e machuca muito – afirmou dom Severino. – O que nos envergonha é também o que nos leva a ter esperança de novos tempos.
Em carta enviada à CNBB, o presidente Lula pediu orações aos bispos para que o brasileiro tenha “a luz e a sabedoria” para escolher seu sucessor . Lula mencionou o seu alto índice de popularidade e disse que reflete o fato de que o povo cada vez mais participa de um “banquete antes restrito a minorias”. Lula citou a “grave crise política e ética” em Brasília, referindo-se ao escândalo do mensalão do DEM.
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Comentário
Na sexta, em Poços, jantei com o pessoal da Feira do Livro. Entre eles, o grande Moacir Scliar. Ficamos conversando sobre a pedofilia nos Colégios Maristas dos anos 50 e 60. Ambos fomos alunos, ele no sul do país, eu em Poços.
Em ambos os lugares praticava-se a pedofilia. Em Poços, era voz corrente os casos de alguns irmãos com internos do Colégio. Um dos irmãos chefiava a Banda do Marista, orgulho da cidade, participava ativamente da política local. Depois, mudou-se para Brasília, sempre como irmão Marista, cultivando a mesma fama. Scliar contou de casos que ocorriam no seu colégio.
Mas como o assunto era tabu, mantinha-se um silêncio inexplicável, cruel para com as vítimas dessas práticas.
Por isso, ao contrário do que sugere Dom Dadeus, foi o fim do tabu de se revelar os fatos que trouxe histórias à tona e vai permitir à sociedade defender melhor as pequenas vítimas.
Obs do Blog: Essa conversa do Nassif e do Scliar me faz lembrar a história da “matinha” do colégio Marista em Natal. Isso surgiu na década de 1960, coincidentemente a mesma época citada também na conversa entre Nassif e Scliar. Trata-se também de casos de pedofilia dos irmãos maristas em Natal com alunos do colégio. Até hoje se fala na “matinha” , que era uma área verde do colégio Marista onde, dizem, os irmãos maristas praticavam pedofilia com alguns alunos.