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Está no Estadão

Atos secretos envolveram 37 senadores dos principais partidos

– A edição de atos secretos beneficiou ou obteve a chancela de pelo menos 37 senadores e 24 ex-parlamentares desde 1995. Não há distinção partidária – PT, DEM, PMDB, PSDB, PDT, PSB, PRB, PTB e PR têm representantes na lista. São senadores que aparecem como beneficiários de nomeações em seus gabinetes ou que assinaram atos secretos da Mesa Diretora criando cargos e privilégios. A existência de tantos nomes indica que a prática dos boletins reservados era bem conhecida. Os nomes dos parlamentares surgiram nos atos publicados nos últimos 30 dias, mas com data da época a que se referem. A quantidade pode ser ainda maior, com a evolução das investigações na Casa. A Mesa Diretora receberá hoje o relatório final da comissão que descobriu cerca de 650 boletins secretos. O documento apontará indícios de sigilo intencional em boa parte dessas medidas. A investigação revela que a prática de esconder decisões envolveu todos os presidentes e primeiros-secretários que passaram pelo Senado desde 1995. O corregedor Romeu Tuma (PTB-SP) aparece na relação. O atual primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), responsável pela comissão que levantou os atos, também está no grupo dos parlamentares com cargo na Mesa que referendaram parte dos atos secretos.

Sitiado, Sarney ouve apelo para que se licencie do cargo

Senadores da base aliada e de oposição criticaram ontem abertamente o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), e propuseram o seu afastamento do cargo, entre outras cobranças. Da tribuna, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) pediu que Sarney tire licença da presidência por 60 dias, até que sejam apuradas as denúncias de irregularidades nos 650 atos secretos editados nos últimos 14 anos. O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), concordou com Cristovam, pediu a prisão do ex-diretor-geral Agaciel Maia e disse que há muitos senadores por trás dos atos secretos do Senado. Com um discurso duro, Virgílio afirmou que é mais importante “a instituição Senado Federal sobreviver à crise” do que Sarney “sobreviver na presidência”.

Análise da Notícia

A merda jogada pelo ex-diretor geral do Senado se espalhou pelo ventilador. Já se tem o nome dos 37 senadores que passaram pela Mesa Diretora da Casa e que assinaram os tais atos secretos. Não há mais como negar que ninguém sabia. Todos sabiam e Agaciel Maia tinha o respaldo para proceder da maneira que conviesse a ele e aos senadores. A imagem do Senado Federal que já vinha maculada desde a gestão de Renan Calheiros (PMDB-AL) agora manchou de vez. José Sarney o manda-chuva do Maranhão se afunda cada vez mais. Ele que presidiu a Casa por três vezes – essa é a terceira – e que colocou Agaciel Maia no cargo de diretor-geral deveria se afastar do cargo pelo menos por 60 dias,como sugere o senador Cristovam Buarque, até que sejam apuradas as denúncias de irregularidades e a merda jogada no ventilador seja limpa. Se é que ela não já se empregnou. O Rei está literalmente nú. Não tem outra saída a não ser se licenciar. Do contrário o Senado continuará sendo bombardeado até pelos próprios senadores que compõem a Casa, caso de Arthur Virgílio que disse que é mais importante “a instituição Senado Federal sobreviver à crise” do que Sarney “sobreviver na presidência”. Virgílio foi mais além: “Vossa Excelência precisa romper qualquer laço com essa camarilha. Se disser que não tem condições de romper, não terá condições de continuar à frente desta Casa”, disse. Quando falou dos ex-diretores João Carlos Zoghbi (Recursos Humanos) e de Agaciel Maia (Direção Geral), ele chegou a chamá-los de “ladrões”.

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