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O Departamento de Estado dos Estados Unidos [1] publicou nesta terça-feira (11) um vídeo em que afirma que o domínio do país em toda a América “nunca mais será questionado”. A publicação apresenta um histórico da Doutrina Monroe, estratégia usada pelos EUA para influenciar o continente.
A publicação foi feita em um momento em que os EUA têm demonstrado apoio à direita na América Latina. Trump, por exemplo, apoiou aliados de Javier Milei nas eleições legislativas da Argentina [2] de 2025, além de Abelardo de la Espriella [3], eleito presidente da Colômbia neste ano.
No vídeo desta terça-feira, o Departamento de Estado citou a operação que capturou o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, como o exemplo mais recente da aplicação da doutrina norte-americana no continente.
Segundo a gravação, a ação dos EUA enviou um “forte sinal a todo o hemisfério”. Maduro foi levado para território norte-americano para responder a acusações de narcoterrorismo e está preso em uma penitenciária de Nova York.
“A Doutrina Monroe moldou a política externa dos EUA por mais de dois séculos. O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, diz a legenda da publicação.
A publicação apresenta a captura de Maduro como parte de uma política aplicada desde o século 19 e criada pelo então presidente James Monroe.
- 🔎 A Doutrina Monroe prevê “a América para os americanos”, segundo a qual qualquer tentativa de “recolonização” por outros países seria vista como ameaça direta aos EUA.
Segundo o Departamento de Estado, o que começou como um alerta à Europa evoluiu para uma política de domínio regional. O vídeo afirma ainda que a doutrina continua sendo atualmente a “pedra angular” da estratégia dos EUA no hemisfério.
Ditaduras ignoradas
Ao contar a história da doutrina, o Departamento de Estado passa por diferentes episódios da atuação americana na América Latina.
Um dos casos citados é o do Panamá. O vídeo afirma que, em 1903, os Estados Unidos apoiaram a independência panamenha da Colômbia e conseguiram um acordo para construir, operar e defender o Canal do Panamá.
O vídeo também cita a crise dos mísseis de Cuba, em 1962. Segundo a publicação, o então presidente John F. Kennedy recorreu à Doutrina Monroe após a descoberta de mísseis soviéticos na ilha.
O histórico apresentado pelo Departamento de Estado, no entanto, deixa de fora intervenções americanas na América Latina que contribuíram para levar diversos países da região a regimes ditatoriais no século 20.
Estratégia de política externa
Em dezembro de 2025, a Casa Branca divulgou um documento para traçar a nova Estratégia de Política Externa [5]. Nele, o governo Trump indicou que passaria a focar mais na América Latina.
Segundo a estratégia, os Estados Unidos vão passar a reajustar a presença militar em outros países para enfrentar “ameaças urgentes” no Hemisfério Ocidental. Os objetivos estariam ligados a questões de segurança nacional.
O documento afirma que o realinhamento militar na América Latina se baseará em três elementos principais:
- ampliar a presença da Guarda Costeira e da Marinha para controlar rotas marítimas, combater imigração ilegal e reduzir o tráfico de drogas e de pessoas;
- reforçar a proteção das fronteiras e intensificar o combate aos cartéis de drogas, incluindo o uso de força letal em alguns casos;
- estabelecer ou ampliar o acesso dos EUA a locais considerados estratégicos na região.
A estratégia diz ainda que os EUA buscam “reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental’, com uma “retomada poderosa” da influência sobre a região. O foco seria o combate ao avanço chinês pela região.
Foto reproduzida da Internet