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O sargento do Exército Luís Marcos dos Reis [1], ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro [2] (PL [3]), admitiu nesta quinta-feira (24) que participou dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Ele também disse que se arrependeu da conduta e que não praticou atos de vandalismo.
Luís Marcos dos Reis deu as declarações ao prestar depoimento à CPI dos Atos Golpistas do Congresso Nacional [4].
Relatório da Polícia Federal [5] apontou que ele participou dos atos golpistas de 8 de janeiro e chegou a subir na cúpula do Congresso na data [6].
Aos parlamentares nesta quinta-feira, o militar disse que foi ao Congresso, tirou fotos e depois voltou para a casa.
“Eu estive aqui [no Congresso] no 8 de janeiro. [Primeiro] acompanhei pela minha casa. […] Assistimos, acompanhando pela televisão. Minha esposa chamou para ir, eu disse: ‘Vamos lá, vamos por curiosidade'”, afirmou Luís Marcos dos Reis.
O sargento disse também que a participação nos atos golpistas foi um “ato impensado”. Ele contou ainda que não havia “ninguém” dizendo que não era permitido subir no Congresso.
“Eu vejo o meu erro. […] Estava eu de bermuda, saí da minha casa, cheguei por volta de 17h na Esplanada, subi a rampa, tirei foto, cruzei pela [via] N1 o Eixo Monumental e subi em direção à minha casa andando. Este foi um ato impensado. Tirei foto. Subi. […] Realmente, foi um momento impensado. Se a senhora me perguntar se eu me arrependi, eu me arrependi. Mas não tinha ninguém ali embaixo falando ‘não pode subir'”, declarou.
Vídeo para primo
Relatório da PF divulgado em junho diz que o sargento do Exército enviou vídeos em cima da cúpula do Congresso a um primo. E escreveu:
“Eu estou no meio da muvuca! Não sei o que está acontecendo! O bicho vai pegar!”.
Em seguida, Luís Marcos dos Reis enviou um áudio, na mesma troca de mensagens, que dizia: “Entraram no Planalto, no Congresso, Câmara dos Deputados, entrou no STF. E quebrou, arrancou as togas lá daqueles ladrão (sic). Arrancou tudo! Foi, foi. O bicho pegou hoje aqui!”.
Mais tarde, por volta de 20h, Luís Marcos dos Reis disse que já estava em casa e que trabalharia cedo no dia seguinte, mas que “o recado foi dado”.
Cartões de vacinação
Luís Marcos dos Reis atuava na equipe de Mauro Cid, na Ajudância de Ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele está preso desde maio, suspeito de participar de esquema de falsificação de cartões de vacinação.
À CPI dos Atos Golpistas, o militar negou participação no esquema de fraude. “Jamais tive ou tenho envolvimento direto ou indireto, ou mesmo conhecimento, sobre suposto esquema de falsificação de cartão de vacinação envolvendo o nome do ex-presidente ou qualquer membro de sua família”, afirmou.