Está no g1
O tenente-coronel Mauro Cid [1], ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, será ouvido nesta quinta-feira (18) pela Polícia Federal [2] no inquérito que apura um suposto esquema de fraude nos cartões de vacina contra a Covid-19. Os registros teriam beneficiado o então presidente Bolsonaro e a filha, além de Cid e familiares.
Preso desde o último dia 3, Cid foi um dos alvos de uma operação da PF, que teve também buscas na residência de Bolsonaro [3].
Segundo investigadores, foi inserida de forma irregular no sistema do Ministério da Saúde a informação falsa de que Bolsonaro e a filha haviam tomado doses da vacina. O ex-presidente, Cid e outras pessoas próximas são investigados pela suposta inclusão dos dados.
Ainda segundo a PF, comprovantes de que eles tomaram a vacina foram baixados a partir do aplicativo ConecteSus, do ministério, com base nas informações falsas. Em seguida, o registro das vacinas foi apagado do ConecteSus.
Tudo isso aconteceu no fim de dezembro, poucos dias antes de Bolsonaro, a filha e pessoas próximas terem viajado para os Estados Unidos. A PF acredita que as informações falsas tenham sido inseridas para beneficiar Bolsonaro e a família e facilitar a entrada nos Estados Unidos.
Em depoimento na última terça (16), Bolsonaro negou ter conhecimento de qualquer participação de Cid no esquema. Também negou ter orientado ou ordenado a fraude nos registros de vacinação [4].
O ex-presidente atribuiu a gestão de sua conta do aplicativo ConecteSUS ao ex-ajudante.
Além de Bolsonaro e da filha, a investigação da PF apontou que foram emitidos certificados de vacinação fraudulentos para Mauro Cid, a esposa de Cid — que deve prestar depoimento na sexta (18) — e três filhas do ex-ajudante de ordens.
Segundo o blog da Andréia Sadi, a PF já concluiu a perícia [5] de um celular apreendido com Mauro Cid e o material deve servir para novos questionamentos nesta quinta.
Entre os materiais que já foram obtidos pela perícia estão as mensagens nas quais Cid passa a assessoras da então primeira-dama Michelle Bolsonaro orientações de pagamento de despesas de Michelle em dinheiro vivo [6].
Planejamento de golpe
Ainda de acordo com o blog, no depoimento, Cid também deve ser questionado pela Polícia Federal sobre uma troca de mensagens de áudio na qual o militar reformado do Exército Ailton Barros trata de um plano de golpe de Estado [7].
Ailton foi procurado por Cid [8] para ajudar na fraude de um cartão de vacina para a sua esposa, Gabriela Cid. O militar reformado também foi preso na operação do último dia 3.
Na terça, ao ser questionado se tinha conhecimento da conversa, Jair Bolsonaro respondeu à PF que não.
“Indagado se repassou orientações a Ailton Barros, diretamente ou por meio de terceiros, para direcionar/influenciar as pautas de manifestações com conteúdo antidemocrático, respondeu que não chegou ao conhecimento do declarante as referidas pautas”, diz o depoimento.
Imagem: g1