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Fábio Luís não é Lulinha. E muito menos Lula

por Marco Damiani, no Brasil 247

O advogado constitucionalista Pedro Serrano, ao programa Boa Noite 247, avaliou ontem que o ministro André Mendonça, do STF, “está contra a parede” no caso da recepção pela Corte, em suas mãos, da investigação da PF que envolve Fábio Luís Lula da Silva, a quem os amigos chamam pelo primeiro nome e a mídia nomina por Lulinha.

É compreensível e, nos tempos antigos, se diria que o apelido usado com viés de vulgo vende mais jornal. Lulinha esquenta e bomba. Está nas manchetes de capas impressas e eletrônicas. Derivações de cobertura sensacionalista estão no ar. Soa contraditório que nunca nenhum filho de Bolsonaro tenha sido tratado como Bolsonarinho nos mesmos espaços, mas é do jogo. O nome está ali e a associação diminutiva com o pai, presidente da República, era tudo o que sonhava a mídia que sempre boicotou Lula. O resultado político-eleitoral buscado pela superexposição do caso está em linha com a estratégia de tirar pontos do candidato à reeleição nas pesquisas de intenção de voto.

Fábio, Lulinha e Lula, no entanto, são personagens diferentes. O primeiro é um sujeito que pessoas que o conhecem chamam pelo nome de batismo e descrevem como amistoso e divertido. Lulinha é fabricação editorial da mídia, e nessa dimensão está nas alças de mira da PF e de Mendonça, no STF. Lula, o presidente, é o pai que, com todas as letras, diz e reitera que o filho deve ser tratado como qualquer cidadão.

“Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa”, diz o presidente Lula. “Não haverá nenhum privilégio. Jamais pedirei para um juiz não fazer a coisa correta. Se ele tiver certo, vai ter ajuda minha. Se fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei. Só ele sabe a verdade. Ele tem de dizer”.

A postura de Lula é oposta à do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2020, que aos brados de “querem f… a minha família” anunciou em reunião ministerial que iria demitir o delegado Maurício Valeixo do cargo de diretor da PF em razão de investigações sobre atividades de milícias, no Rio de Janeiro, que se aproximavam de seus filhos. Bolsonaro trocou Valeixo por Rolando de Souza, cujo primeiro ato no cargo foi exonerar o então chefe da PF no Rio, Ricardo Saadi, que incomodava o presidente.

O vazamento integral do relatório da PF que envolve o filho do presidente Lula veio desacompanhado de provas documentais que sustentem a denúncia de tráfico de influência. A defesa de Fábio Luís, liderada pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, comemorou a decisão de André Mendonça de mandar a PF investigar o vazamento do relatório sobre a investigação em curso. Há o entendimento de que a quebra total do sigilo sobre o caso será benéfica para os investigados. O questionamento mais forte, porém, se dá sobre o acompanhamento pelo Supremo, reservado a casos que envolvem pessoas com direito a foro privilegiado, como autoridades e parlamentares.

Questionado por tratar o caso sob o seu absoluto controle, o que gerou uma crise institucional com a Polícia Federal, André Mendonça, ministro indicado por Bolsonaro, tem passado o recado de que não pretende abrir mão dessa posição. Com Fábio Luís em sua jurisdição, Mendonça ganha espaço midiático à medida que Lulinha se mantém no alto das páginas.

“O ministro André Mendonça precisa mostrar se há no inquérito, que está protegido por sigilo, alguma citação a autoridade com direito a foro privilegiado”, afirma Pedro Serrano. “Se não mostrar e, portanto, não houver, o caso tem de ir para a primeira instância, sob pena de nulidade mais adiante”. A Justiça tem obrigações e responsabilidades que a mídia gosta de não ter.

*Marco Damiani é editor especial do Brasil 247 no Rio de Janeiro

Foto: Instagran/Reprodução

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