Reportagem da revista Veja desta semana sobre a instalação do Centro de Neurociências na cidade de Macaíba, na Grande Natal, acabou por provocar uma celeuma. A matéria trata Macaíba como uma cidade grotão do Nordeste em que as ruas são carroçáveis e o comércio um verdadeiro escambo.
Entendo ser o tratamento dado pela reportagem a cidade de Macaíba pejorativo, e até mesmo falta de conhecimento por parte do repórter que a produziu, esquecendo que Macaíba tem hoje um Centro Industrial com várias fábricas ali instaladas proporcionando aos macaibenses geração de emprego e renda. Percebe-se bem que o repórter não foi ao local onde será instalado o Centro e fez uma análise precipitada sobre o município.
O fato mereceu até destaque na coluna Além do Petróleo, de Jean Paul Prates, no Globo Online com o título “Macaíba-RN não é faroeste”. Prates publicou uma matéria assinada pelo repórter Júlio Pinheiro do Portal NoMinuto.com em defesa de Macaíba. O texto diz que Veja cometeu um equívoco ao tentar caracterizar um contraste entre a iniciativa científica do pesquisador Miguel Nicolélis e o local escolhido para sediar o Centro de Excelência.
Concordo com os que saíram em defesa de Macaíba, mas acho também que tem coisas mais importantes para nos preocuparmos neste momento. Por exemplo. O Rio Grande do Norte, segundo dados do Ministério da Saúde, já é o primeiro estado do Nordeste em casos confirmados de dengue, e o quarto no país, perdendo apenas para os estados do Tocantins, Roraima e Rio de Janeiro, e até com casos de óbitos já registrados.
Isso sim é uma vergonha, e porque não dizer um descaso das nossas autoridades. Afinal, a dengue não é uma doença que não se possa combater. É preciso agir logo para que não fiquemos na mesma situação que o Rio de Janeiro, onde os hospitais da rede pública já não têm mais leitos disponíveis para receber os doentes.
Macaíba é sim importante para o Rio Grande do Norte, mas mais importante ainda é combater a dengue e cobrar dos governos – municipais, estadual e federal – medidas eficazes para que mais irmãos nossos não venham a falecer.