por Ricardo Valério
Desde o advento do Plano Real que a economia brasileira vinha obtendo resultados satisfatórios nos dois governos de FHC e com a inflação estabilizada, salvo alguns deslizes também ocorridos no governo tucano. A tendência da estabilidade continuou nos governos do presidente Lula, indo até a metade do primeiro governo da presidenta Dilma, quando começamos a perder o fôlego até chegar ao atual momento de total falta de oxigenação.
Na verdade, o presidente Lula, observador como ele bem é, e muito bem assessorado pela experiência de pessoas como Arminio Fraga, presidente do Banco Central, entre outros economistas, mantiveram a espinha dorsal que vinha mantendo o nosso país em equilíbrio e crescimento, heranças ainda do Plano Real que se baseava na matriz:
1) Regime de Metas da Inflação ;
2) Câmbio Flutuantes sob vigilância, e
3) Superávits Fiscais satisfatórios.
1) Regime de Metas da Inflação ;
2) Câmbio Flutuantes sob vigilância, e
3) Superávits Fiscais satisfatórios.
É importante destacar a marca deixada pelo presidente Lula na época para a economia brasileira, de ter mantido a política do seu antecessor e ter promovido avanços consideráveis nos campos sociais, educacionais, melhorias na distribuição da renda e redução da pobreza, através da implantação do Bolsa Família, Pronatec, Prouni, acessibilidade ao crédito com juros baixos, entre outros benefícios que gerou um expressivo mercado de consumo interno.
Estas inovações do governo Lula alavancou a nossa economia e despertou o interesse do mercado mundial para o Brasil, com a chegada de muitos investimentos estrangeiros e melhorias tecnológicas na indústria nacional e consequentemente na qualidade dos nossos produtos, ainda que com as dificuldade pelo elevado Custo Brasil, fruto da alta carga tributária e poucos ganhos de produtividade face a baixa qualificação da nossa mão de obra.
É verdade também que o cenário mundial estava favorável, até a chegada da crise provocada pela bolha imobiliária da economia americana em 2008, onde o presidente e sua equipe, mais uma vez, agiram com competência fazendo a desoneração em parte da economia e irrigando o mercado consumidor via crédito a juros baixos e de fácil acessibilidade.
É verdade também que o cenário mundial estava favorável, até a chegada da crise provocada pela bolha imobiliária da economia americana em 2008, onde o presidente e sua equipe, mais uma vez, agiram com competência fazendo a desoneração em parte da economia e irrigando o mercado consumidor via crédito a juros baixos e de fácil acessibilidade.
Desta forma no governo Lula, em 2010, alcançamos o extraordinário crescimento do nosso PIB a marca dos 7,5% positivos, bem acima da média mundial naquela época de crise, o que levou o Brasil a ganhar credibilidade internacional e nos conduziu a reclassificações positivas pelas mesmas agências internacionais que hoje nos rebaixam. Foi sem dúvida uma grande vitória para nossa economia que atraiu muitos investimentos e aporte de recursos na economia nacional, aparentemente a bola da vez de forma sustentável por seguidos anos.
No entanto, provando que a política é cada vez mais o maior pesadelo da economia nacional, diante das ansiedades de garantir a vitória de sua candidata Dilma, os erros começaram ainda no final do mandato do presidente Lula, que contribuíram inclusive para o atual quadro que passamos atualmente.
O PT e os aliados, embriagados pelo projeto de manutenção do poder, começaram a extrapolar os limites dos gastos públicos promovendo avanços sociais, além das possibilidades do tesouro nacional, quebrando uma das vertentes da espinha dorsal da estabilização que nosso país passava que era o controle do equilíbrio orçamentário, o que levou o Brasil sucessivamente a ir agravando o seu déficit fiscal alimentado pelos gastos com medidas populares que minavam nossa matriz econômica, antes de austeridade fiscal sob controle.
As autoridades econômicas e os dirigentes partidários, na sanha por ganhar as eleições, concederam benefícios e medidas eleitoreiras além da capacidade de endividamento interno do Brasil. Não pararam nem para observar que o cenário mundial estava entrando a deriva, com alguns países quase quebrando na Europa e a economia mundial entrando numa perigosa recessão.
Resultado é que já na metade do primeiro governo da presidenta Dilma, o então ministro da Fazenda Guido Mantega e sua transloucada equipe, dos quais ainda se mantém no poder até hoje, no mais alto posto de nossa economia, o atual ministro da Fazenda Nelson Barbosa, abandonou a matriz econômica que vinha dando certo desde o Plano Real, que acima descrevemos, dos três fundamentos econômicos, e que eram a mola mestra da estabilização e crescimento nacional. O abandono dos fundamentos que vinham segurando a nossa economia sob controle nos conduziu a atual situação, que representa o segundo pior desempenho dos últimos 25 anos, sendo superado ainda na época do confisco do governo Collor em 1990, onde tivemos 4,3%.
O pior é que se formos projetar o somatório dos 3,8 obtidos agora em 2015, com o prováveis 3% negativos projetados para 2016 em nossa modesta opinião, estaremos batendo todos os recordes desde de 1930 e 1931, época da revolução industrial, quando o mundo viveu a grande depressão, oriundo da quebra da Bolsa de Valores de Nova York e nos períodos pós grandes guerras mundiais, quando ainda assim neste quadro universal gravíssimo, caímos consecutivamente 2,1 e 3,3%, nos anos 1930 e 1931 consecutivamente pela primeira vez.
Desta forma, recorrendo-se ao histórico passado para avaliarmos a gravidade do nosso pibinho de 2013, e do agravamento sucessivos de 2015 e 2016 projetado, passaremos em muito a derrocada dos anos 1930 e 1931, época da maior depressão mundial, ainda no período pós-guerra, vergonhosamente agora em 2016.
Nos parece que nossa guerra atual interna, com o acirramento das forças políticas, estão sendo mais destrutivas até do que as grandes guerras mundiais. É uma literatura que julgo vergonhosa, irresponsável, egocêntrica e totalmente sem ética e princípio de nacionalidade o que enfrentamos atualmente.
Se nos reportarmos a sequencia dos nossos relatos vemos que somente agravamos mais ainda a nossa situação, novamente navegando em novas aventuras eleitorais, agora pela difícil eleição da desgastada presidenta Dilma em 2014, movida pelos componentes políticos das vaidades e desejo de poder.
Mesmo com as contas públicas deterioradas e acumulando déficits fiscais enormes, a presidenta Dilma fez controle artificial dos preços administrados de combustíveis, gás e até redução de preços nas contas de energia , além da desoneração de tributos e das folhas de pagamentos, mesmo quando nosso déficit fiscal já era enorme e as condições econômicas com a queda das principais commodities já eram extremamente desfavorável e com a economia mundial dando sinais evidentes de aprofundamento da crise e recessão.
Sem falar que politicamente desde que ela assumiu o governo, por falta de habilidade política e de carisma, nunca teve uma base parlamentar forte capaz de aprovar as medidas anti-populares necessárias para correção dos rumos.
Para piorar os cenário, desde o início da apuração dos escândalos absurdos da nossa antes valiosa Petrobras, até a deflagração da operação Aletheia, a nossa credibilidade e confiança internacional somente vem sendo extremamente abalada a ponto de já termos sido desclassificados pelas três maiores agências internacionais de avaliação de risco, sendo a última agora pela agencia internacional Moody’s, coincidindo com a publicação do nosso desastroso número do PIB negativo de 3,8%.
Para piorar os cenário, desde o início da apuração dos escândalos absurdos da nossa antes valiosa Petrobras, até a deflagração da operação Aletheia, a nossa credibilidade e confiança internacional somente vem sendo extremamente abalada a ponto de já termos sido desclassificados pelas três maiores agências internacionais de avaliação de risco, sendo a última agora pela agencia internacional Moody’s, coincidindo com a publicação do nosso desastroso número do PIB negativo de 3,8%.
As conseqüências destas sucessivas desclassificações são imensuráveis e afugenta cada vez mais o capital estrangeiro do Brasil, o que seria uma das saídas para nossa debilitada economia voltar a ser irrigada e respirar para novos e necessários recursos para compensar os investimentos impossíveis ao setor público nacional no momento.
Assim a presidenta Dilma fragilizada e com um país dividido assumiu seu segundo governo, com 52% dos votos, passando a ser uma verdadeira crônica anunciada previamente que seria um desastre e suicídio político para o antes sólido patrimônio político do PT e aliados. Já vimos esses filmes, no final dos governo de FHC que não resistiu ao desgaste de oito anos sucessivos, do corrompido e vulnerável poder no Brasil que vem desde a época que a nau de Cabral aportou no Brasil.
O que observamos é que somente os políticos por conveniências não querem ver, que temos que fazer uma ampla reforma política que elimine a matriz de todos os males da corrupção, que são os financiamentos de campanha e os nefastos caixas 2, cordão umbilical da enorme rede da corrupção nacional. Temos que lutar por eleições gerais para todos os níveis, de vereador das câmaras municipais até a Presidência da República, seja realizada a cada seis anos, sem direito a reeleição para os cargos executivos, com limites franciscanos dos investimentos das campanhas restritas a 45 dias, entre outros, medidas de moralização e ética para a política nacional.
A falta de controle dos gastos nas campanhas eleitorais, o direito nefasto da reeleição, a sina pela manutenção pelo poder, incentivou a equipe da presidenta a agravar o déficit público à limites insustentáveis a ponto dela manchar a sua literatura pelas pedaladas fiscais em dois anos consecutivos, que a conduziu para processos de solicitação de cassação de mandato. Ela que já tinha como heranças do seu primeiro mandato um país dividido, base de apoio fragilizada, sem credibilidade política ainda expôs a sua fragilidade fiscal com as pedaladas. Se não bastasse tudo isso, para agravar mais ainda este caótico cenário, existe o eterno confronto com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que trava com a presidenta um verdadeiro roteiro cinematográfico dos ” salve-se quem puder, pois o piloto sumiu”, onde cada um quer salvar a sua pele e seus mandados, de forma egoísta e irresponsável. Tudo isto está conduzindo o país a essa crise de conseqüências imprevisíveis e à beira de uma convulsão social pelo acirramento dos últimos fatos de apuração do mar de lama que assola o Brasil.
Queira Deus, que as manifestações das ruas não acabem em derramamento de sangue, além do mar de lama que já estamos envolvidos fora a nossa fragilizada e abalada economia atolada no fundo do poço, e sem perspectivas de melhoras até 2018, quando esperamos com a renovação expressiva do Congresso Nacional, assembléias e governadores, possamos quem sabe, elege um novo presidente da República que seja um estadista capaz de conduzir o Brasil as urgentes e necessárias reformas Previdenciárias, Fiscais, Trabalhista, Política, Administrativas e de moralidade e combate sistemática da corrupção no Brasil.
Só nos resta torcer para que os ânimos não estejam acirrados como demonstrados nas últimos confrontos entre os partidários dos dois lados, e que vença a nossa jovem democracia e que o Brasil possa realmente ser passado a limpo em todas as dimensões. É verdade que os governos do PT vêm sendo alvo de investigações aparentemente bem sucedidas, como seriam também se os governos passados passassem por igual devassa. Mas para passar verdadeiramente a limpo o país temos que investigar o Judiciário e o Legislativo, sem corporativismo e com absoluta isenção para atingirmos uma lavagem ética e moral em nosso país, doa a quem doer.
A corrupção não está enraizada somente no Executivo e em alguns políticos profissionais e todos sabem disso. Mas muitos querem fechar os olhos por conveniências, já que infelizmente são poucos os inocentes neste mar de lama, e por enquanto somente uma parte da sociedade está escapando, pois quem elege mau seus governantes e diariamente também cometem os seus pequenos delitos e atos poucos éticos, sejam num simples gesto de furar a fila, estacionar numa garagem de deficientes ou compactuar com atos ilícitos, cometem igualmente equívocos tão graves quanto os políticos que tanto criticamos fazem em seus cotidianos.
O Brasil precisa de um choque de gestão, moralidade e condutas éticas e cidadã de todos os brasileiros e não somente da classe política, e cabe a cada um de nós exercemos a nossa cidadania com ética, moral e responsabilidade social.
*Ricardo Valerio Costa Menezes é presidente do Conselho Estadual de Economia (Corecon-RN) e colaborador do blogdobarbosa