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FBI investiga Federação Argentina por suspeita de fraude e lavagem de dinheiro durante a Copa

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 A Associação de Futebol Argentino (AFA) é alvo de uma investigação conduzida pelo FBI (Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos) por suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro relacionadas a operações financeiras realizadas no país durante a Copa do Mundo. As informações foram publicadas inicialmente pelo jornal argentino La Nación [1].

Segundo a reportagem, os investigadores buscam esclarecer como uma entidade sediada na Argentina movimentou centenas de milhões de dólares por meio do sistema financeiro norte-americano. O foco do inquérito é determinar se parte dessas transações configurou crimes sujeitos à jurisdição dos Estados Unidos, como lavagem de dinheiro e fraude bancária.

Entre os investigados está o empresário Guillermo Tofoni, cujas operações financeiras ligadas à AFA estão sendo analisadas pelas autoridades. O FBI também procura testemunhas que tenham conhecimento direto sobre a gestão do presidente da entidade, Claudio “Chiqui” Tapia, e do dirigente Pablo Toviggino, com o objetivo de esclarecer a estrutura utilizada para administrar os recursos internacionais da federação.

Outro alvo da investigação é a TourProdEnter LLC, empresa pertencente ao produtor teatral Javier Faroni, responsável pela administração da cobrança dos contratos comerciais da AFA no exterior. Conforme a apuração, a empresa teria assumido a função de agente de cobrança dos acordos internacionais da entidade, tornando-se peça central nas investigações conduzidas pelas autoridades norte-americanas.

O inquérito é liderado pelos procuradores federais Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger, que concentram os trabalhos na análise das atividades da TourProdEnter LLC e do fluxo de recursos administrados por Faroni e sua esposa, Erica Gillette, por meio do sistema bancário dos Estados Unidos.

De acordo com os dados levantados na investigação, a empresa administrou pelo menos US$ 260 milhões (cerca de R$ 1,34 bilhão) em receitas da Associação de Futebol Argentino. As autoridades agora buscam identificar o destino desses recursos e verificar se todas as movimentações possuíam justificativa econômica compatível com as atividades da entidade.

Segundo a documentação analisada pelo La Nación, apenas uma parcela desses valores pôde ser diretamente associada a despesas operacionais identificáveis da AFA. O restante desperta suspeitas dos investigadores.

Ainda conforme a reportagem, aproximadamente US$ 57 milhões (cerca de R$ 294 milhões) foram distribuídos entre diversas empresas e beneficiários sem que a documentação examinada apresentasse justificativas econômicas consideradas suficientes para explicar essas transferências.

Além das apurações financeiras, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos avalia convocar ex-integrantes do governo do presidente argentino Javier Milei que tiveram acesso a informações sigilosas sobre a AFA para prestar depoimento no âmbito da investigação. O objetivo é reunir elementos que possam esclarecer a estrutura financeira utilizada pela entidade em suas operações internacionais.

Foto: Reprodução Instagran

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