Três anos depois de dar a Copa de 2014 ao Brasil e um dia após o encerramento do Mundial da África do Sul, a Fifa fez um alerta às autoridades brasileiras. “Falta tudo” para que o País possa organizar o evento em quatro anos. A entidade ainda avisou: passará a fazer pressão para que as obras sejam aceleradas. O Tribunal de Contas da União chegou à mesma conclusão e, por meio de relatório, apontou que as “providências estão impressionantemente atrasadas”.
O secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke, foi duro e direto em sua análise. “Temos alguns problemas”, declarou, ontem, em Johannesburgo. A lista do dirigente, na realidade, é longa e complexa. “Precisamos construir estádios, estradas, o sistema de telecomunicações, aeroportos e ver se há mesmo capacidade suficiente em hotéis.”
Em resumo, o recado da entidade é de que nada está em dia. Não há definição de onde ocorrerão os jogos de abertura e semifinais, como será a infraestrutura, quais aeroportos vão ser utilizados, nem mesmo garantias financeiras. Um integrante do Comitê Executivo da Fifa afirmou ao Estado que, se o Brasil não tivesse concorrido sozinho para organizar a Copa de 2014, não teria saído vencedor, “tão grande é a falta de planejamento”.
Para 2018 e 2022, há na Fifa quem tenha a sensação de que os candidatos estão mais bem preparados que o Brasil. Nos bastidores, o País vem sendo considerado pela Fifa como tão problemático ou até pior que a África do Sul para a realização da Copa. Antes do início do Mundial, o presidente da entidade, Joseph Blatter, chegou a apontar que “o Brasil não era um paraíso”, em sinal de insatisfação com a forma como dirigentes e políticos vêm lidando com o evento. (O Estado de S. Paulo)