O método de fuga adotado por integrantes da extrema-direita diante de determinações do Judiciário foi duramente criticado pelo comentarista político Octavio Guedes. Durante análise transmitida no canal GloboNews, o jornalista avaliou o cenário que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL) e destacou que o governo do presidente Lula (PT) precisará estruturar uma estratégia diplomática para reafirmar no cenário internacional o caráter democrático das instituições brasileiras.
Ao contextualizar o ambiente político nacional, Guedes apontou que a narrativa de perseguição carece de sustentação factual diante da plena representatividade e liberdade de atuação das forças oposicionistas no país. De acordo com o analista, as garantias institucionais vigentes comprovam a normalidade do sistema democrático do Brasil.
“Lula agora vai ter que ter um plano diplomático para reforçar a visão, que é predominante no mundo, de que o Brasil é uma democracia. De fato é. O Flávio Bolsonaro está fugindo de um país no qual ele concorreu livremente, ele está fugindo de um país no qual o irmão dele é senador, ele está fugindo de um país no qual o outro irmão é deputado federal, ele está saindo de um país onde o partido dele tem maioria na Câmara, ele está fugindo de um país onde a madrasta dele é senadora, ele está fugindo de um país onde o partido dele tem maioria no Senado, ele está fugindo de um país onde o partido dele tem seis governadores, ele está fugindo de um país que lhe deu 59 milhões de votos. Então ele está fugindo de uma democracia, ele está fugindo do acerto de contas com a Justiça. (…) Não existe um exilado político cujo irmão é senador, cujo partido é maioria”, argumentou Octavio Guedes.
O comentarista ainda estabeleceu um contraponto direto entre a atitude dos bolsonaristas e a postura adotada por Lula quando este foi injustamente alvo da Operação Lava Jato. Guedes ressaltou a contradição entre a retórica patriótica do grupo e suas ações concretas ao enfrentar o cumprimento da lei.
“Toda manifestação bolsonarista tem hino nacional, que canta ‘verás que um filho teu não foge à luta’. No entanto, é um método desse grupo político fugir diante do inconformismo com uma decisão judicial. E aí, sou obrigado a comparar com o outro campo. O Lula foi indiciado, denunciado e processado na Lava Jato. O que o Lula falava do Sergio Moro era o que os bolsonaristas falam do Alexandre de Moraes: um juiz parcial, um juiz arbitrário… Os mesmos adjetivos eram utilizados. O Lula, diante de uma ordem de prisão, o que ele fez? Foi para o sindicato, fez um discurso, se entregou, foi para a cadeia e ficou 500 e tantos dias na cadeia. Em um determinado momento sugeriram para ele uma tornozeleira [eletrônica] e ele disse que não sairia de tornozeleira. Então essa é uma diferença. E nesse grupo bolsonarista há este método de que ‘verás que um filho teu foge à luta’”, concluiu o jornalista.
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