por Marco Damiani, no Brasil 247
Quando um candidato a presidente ouve do chefe do seu próprio partido que não está preparado para ser candidato, o que ele deve sentir? No caso de Flávio Bolsonaro, a sensação natural que seria sentir-se desprezado e abandonado já está assimilada. Ele vê seu isolamento político galopar e chegará à Convenção Nacional do PL, marcada para a sexta-feira, 25, como um farrapo humano, político e eleitoral.
“Flávio não estava preparado para ser candidato”, declarou o cacique da legenda, Valdemar da Costa Neto, na reta final da preparação do encontro partidário. Mais desestímulo que isso, impossível. No momento em que deveria estar cercado de aduladores, o esvaziamento representado em uma lista de ausências de peso à festa da legenda demonstra o quanto ele está sozinho. A planejada comemoração vai virar um velório disfarçado.
Flávio está sem um nome para apresentar como vice; sem o apoio do centrão; sem palanques estaduais representativos de sua candidatura de extrema-direita (ufa!); sem Michelle Bolsonaro para puxar o eleitorado feminino; sem o governador Tarcísio de Freitas para ser seu principal apoiador; sem o entusiasmo do presidente da sua legenda; sem meios de buscar consolo no colo de seu pai, Jair Bolsonaro, agora incomunicável em sua prisão domiciliar, por determinação do ministro Alexandre de Moraes.
Igualmente, Flávio está sem credibilidade, sem confiança, sem empolgação, sem segurança, sem brilho e sem moral.
A desmoralização advém, na campanha, das vezes em que ele já se viu flagrado na mentira. Foi desmentido quando negou ter mantido intimidade com Daniel Vorcaro, desmascarado ao chamar de falsa a foto verdadeira com o capanga Sicário e, diante dos embaixadores estrangeiros, desmentido pela mídia ao levar a eles notícias falsas sobre as urnas eletrônicas.
Flávio Bolsonaro tornou-se, portanto, um rematado sem-sem.
Como cantou o craque Luiz Melodia na música ‘Farrapo Humano’, o postulante de extrema-direita que quer concorrer pelo PL está “muito acabado, tão abatido”. Ouça: Farrapo Humano [1]
*Marco Damiani é editor especial do Brasil 247 no Rio de Janeiro
Foto: Infomoney