por Flávio Cruvinel Brandão
Durante anos, a imprensa investigou e publicou reportagens que tentam colocar à vista de todos os brasileiros as ações da família Bolsonaro, seus aliados e amigos. Reunimos e reproduzimos aqui, sinteticamente, o resultado destas investigações da imprensa. Todas as citações deste artigo podem ser checadas, na sua totalidade, em cada uma das fontes que dão base a este texto.
A premiadíssima jornalista Juliana Dal Piva, em seu livro “O Negócio do Jair: a história proibida do clã Bolsonaro” descreve os bastidores da ascensão política e patrimonial do ex-capitão e de seus filhos durante os seus diferentes mandatos políticos, de vereador, deputado estadual ou federal de todos os seus filhos, incluindo ainda as ex-esposas, amigos, familiares, além de advogados e milicianos, como se pretende demonstrar: “A obra lança luz sobre o passado do clã Bolsonaro e as peças que levaram, em 2018, ao escândalo das rachadinhas a partir de transações suspeitas de Fabrício Queiroz, então assessor de Flávio Bolsonaro e amigo de longa data de Jair.”1 [1]
As rachadinhas, termo cunhado pela própria grande mídia brasileira, não são uma novidade na política do Rio de Janeiro ou do País. No entanto, como avalia Dal Piva, “a grande diferença na história do Bolsonaro é que há um esquema de uma proporção muito grande, porque ele botou os filhos na política com esse esquema.”2 [2]
Uma investigação da BBC News Brasil, porém, levantou indícios de que Flávio seria um funcionário fantasma [3]. Na mesma época em que estava lotado em um cargo no Gabinete Parlamentar do pai, na Câmara dos Deputados, que exigia a presença em Brasília, o hoje senador tinha duas atividades presenciais no Rio de Janeiro: a faculdade de direito e um estágio voluntário na Defensoria Pública.
Anos após ter ocupado esse cargo na Câmara, Flávio se tornou alvo da denúncia de que ele teria servidores fantasmas em seu próprio gabinete. O caso veio à tona no final de 2018, pouco depois de seu pai ser eleito Presidente da República, após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar movimentação milionária – incompatível com seu salário – só que na conta de Fabrício Queiroz, chefe de gabinete de Flávio na Alerj.
Em 2020, Queiroz foi acusado na denúncia do Ministério Público de ser o operador de um esquema que recolhia parte do salário dos funcionários do antigo gabinete de Flávio em benefício do parlamentar, o que configuraria a chamada rachadinha.
Além disso, os promotores identificaram que Queiroz pagou com dinheiro vivo 169 boletos referentes a pagamentos da escola das filhas (sic) de Flávio Bolsonaro e do plano de saúde da família, isso entre 2013 e 2018, somando R$ 247 mil, em valores da época. Nas investigações citadas, Queiroz admitiu que recebia parte dos salários dos funcionários, mas disse fazer isso sem anuência de Flávio, o que naturalmente não convenceu o Ministério Público. Na versão de sua defesa, “os recursos eram usados para contratar informalmente outras pessoas para atuar em apoio à atuação parlamentar do então deputado estadual.”3 [4]
Fatos apresentados, cabe perguntar: Quem é Flávio Bolsonaro? O Editorial “Isto é Flávio Bolsonaro”, publicado em 21 de maio de 2026 pelo Jornal Estado de São Paulo, reconhece que o caso do Banco Master não transforma Flávio em alguém pior do que ele já era, o que, paradoxalmente, torna o diagnóstico ainda mais grave. O problema não é o escândalo – mas, sim, o homem, o personagem público. Conforme o editorial, “Flávio nunca escondeu que seu único objetivo, ao chegar ao poder, é livrar o pai da cadeia. Governar o Brasil não está nos seus planos“, aponta o editorial do Estadão:
“Tampouco muda alguma coisa o fato de que Flávio Bolsonaro mentiu seguidamente – para seus aliados, para sua equipe de campanha e para a imprensa – a respeito de suas relações com Vorcaro. A mendicidadeé a própria natureza do clã Bolsonaro, que construiu sua trajetória política em cima de desinformação, logro e desfaçatez.O filme sobre Bolsonaro, a julgar pelo trailer divulgado por Flávio, é em si mesmo um retrato fiel dessa doença congênita: inventa um Bolsonaro que só existe nos delírios da família. Como vivemos tempos estranhos, em que mentirosos patológicos ganham destaque no degradante mercado da atenção em que se transformou a política, chega a ser engraçado que alguém se queixe por ter sido enganado por Flávio Bolsonaro.”4 [5] (grifamos)
Nós completamos: Flávio Bolsonaro Presidente da República, seria cômico se não fosse trágico!
A respeito do Banco Master. Flávio Bolsonaro foi descoberto mentindo sobre o caso ao dizer que nunca se encontrou ou teve qualquer relacionamento com Daniel Vorcaro (primeira mentira, com tentativa de reparação). O próprio Senador admitiu que se reuniu presencialmente com Vorcaro, não só uma vez (reparando a segunda mentira). Reuniu-se com o mecenas (sic) do filme sobre seu pai, duas vezes. Os dois tiveram ao menos mais um encontro, no primeiro semestre de 2025, em uma mansão alugada pelo banqueiro, em Brasília.
O Portal Intercept Brasil revelou que o País está de frente a um mentiroso contumaz. Não que isso seja novidade, pois o que se atesta é que ele mente até mesmo para os seus companheiros [6]. No início da pré-campanha, os dirigentes do PL questionaram o senador sobre suas relações com Vorcaro. Ele negou. Meses depois, Flávio Bolsonaro mudou a história, mas continuou mentindo. Disse que foi procurado pelo banqueiro, mas recusou o encontro. Hoje, sabe-se que ele não só o encontrou como pediu dinheiro ao banqueiro, muito dinheiro, para financiar o filme panfletário, Dark Horse. Resumindo: “Ninguém confia em Flávio, nem mesmo os seus companheiros.“5 [7]
Ainda segundo o Intercept, o banqueiro teria repassado ao menos R$ 61 milhões para a obra cinematográfica em 2025, e Flávio Bolsonaro teria feito contatos com Vorcaro cobrando a liberação dos valores restantes do ‘acordo de financiamento’ (sic), que chegariam a incríveis R$ 134 milhões, pasmem!!! O senador nega qualquer ilegalidade, mas – de agora em diante – enfrentará os naturais questionamentos de uma campanha eleitoral para Presidente. Os problemas se amplificam pela proximidade que o senador cultivou com um dos nomes mais tóxicos da política brasileira, o irmaozão Daniel Vorcaro, que está preso e negociando um acordo de delação premiada, com enorme potencial para atingir dezenas de altas autoridades do mundo político brasileiro.
Os recursos são de tal monta que a afirmação a seguir permite entender as razões das medidas adotadas pela Polícia Federal, que “… estuda solicitar a inclusão do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na difusão prateada da Interpol, um mecanismo internacional recém-criado para localizar e rastrear bens e ativos financeiros associados a investigações criminais no exterior”.6 [8] (grifamos)
Toda sorte de acontecimentos têm reflexo na política, sejam as notícias, os processos judiciais, as investigações, as operações, os vídeos da madrasta do candidato e, também, as respostas que são publicizadas nas Redes Sociais. As pesquisas eleitorais já vêm indicando os estragos de tudo isso na campanha eleitoral do nº 01. Yuri Sanches, diretor de risco político da AtlasIntel, afirmou a rspeito da tarefa do candidato: ” Flávio precisa desconstruir a rejeição dele atrelada ao sobrenome e aos casos de corrupção … Não estamos falando de um caso ou outro, mas de muitos. A relação obscura com Vorcaro é só uma gota no oceano de lama no qual o senador está atolado.”7 [9](grifamos)
Concluindo: uma primeira tentativa da campanha para arrefecer e minimizar os danos, seria feita – em até 30 dias – uma prestação de contas do financiamento de Dark Horse pela produtora Go Up Entertainment.8 [10] Até aqui, véspera do início oficial da campanha, nada foi divulgado.
Um outro vínculo político do agora candidato é Rodrigo Bacelar, ex-presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – Alerj, que teve o apoio da família Bolsonaro para concorrer ao Governo do Estado do Rio de Janeiro nas eleições de 2026. Também investigado, teve o mandato cassado e está preso no Presídio Federal de Mossoró, depois de ser flagrado usando um celular na cela do presídio onde estava inicialmente, em Bangu 8 (RJ), exercendo influência política em pessoas do poder público em uma investigação sobre suposto esquema do jogo do bicho.
São inúmeros os casos policiais nos quais o nome de Flávio Bolsonaro foi identificado. Por exemplo, aquele referente a uma emenda parlamentar de autoria do Senador (de R$199 mil para uma ONG que é suspeita de integrar um esquema de desvio de verbas públicas). O Intercept afirma que o envio da tal emenda foi intermediado por um policial militar conhecido como “Peixe”, que também foi condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco. Afirma o portal: “Tudo indica que neste processo o senador terá que esclarecer os motivos que o levaram a manter negócios com a quadrilha que matou a vereadora do PSOL.”9 [11]
Outra matéria de Juliana Dal Piva, do ICL Notícias, mostra mais uma mentira que seria de autoria do Sen. Flávio Bolsonaro, ao revelar a sua relação com gente envolvida em crimes. Desta feita, tira o sono do candidadto, a foto (aparentemente em trajes de banho, pretensamente tirada em 2022, em um hotel na zona sul, no Rio de Janeiro ao lado do hoje falacido Sicário, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, aquele mesmo que era encarregado por Vorcaro de praticar ‘ameaças e ações violentas contra desafetos’: “Em nota, o senador afirmou à coluna que “como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos”.10 [12]
Flávio Bolsonaro disse que não conhece Sicário. Será? Como já mencionado, essa e uma imensa lista de perguntas deverá ser respondida pelo agora candidato do PL à Presidência da República. Por exemplo, aquelas relacionadas aos desvios investigados na CPMI do INSS. Vejamos como se dá o vínculo entre Flávio e os tais desvios, que se daria por meio de Letícia Caetano dos Reis. Nesse ponto é importante destacar que Letícia é administradora da empresa Flavio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia desde 16 de abril de 2021, quando a companhia foi aberta. O escritório onde funciona a empresa foi registrado no mesmo endereço da mansão comprada pelo senador em março daquele ano, com um generoso empréstimo do BRB (Banco de Brasília, ligado ao Governo do Distrito Federal, então administrado pelo ex-Governador Ibaneis Rocha). Lembremos: o imóvel foi adquirido por um valor em torno de R$ 5,97 milhões.11 [13] O que disse a mídia a respeito desse assunto:
“Em entrevistas, Letícia disse ter sido indicada para ser administradora do escritório pelo advogado Willer Tomaz de Souza, amigo de Flávio Bolsonaro e pessoa influente em Brasília entre os políticos. Uma reportagem do portal Metrópoles mostrou que, também em 2021, Willer chegou a promover uma festa de aniversário que teve Flávio como convidado, além de outros líderes da direita de Brasília: o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o ex-vice-governador do DF, Paulo Octávio, e o ex-governador do DF, José Roberto Arruda.”12 [14]
Existem suspeitas de uma relação entre Flávio e o núcleo de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, já que seus sócios são irmãos. Observemos a seguir:
“Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, indicado pela Polícia Federal comosócio do Careca do INSS [15]. Ele é tido pela PF como o principal operador das fraudes por meio da empresa Camilo & Antunes Limited, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. A empresa teria comprado quatro imóveis de 2024 que, somados, valem R$ 11 milhões. A corporação suspeita de que essa empresa seja uma offshore feita para blindar bens comprados de maneira ilegítima ou incompatíveis com a renda declarada.Alexandre Caetano dos Reis também é contador do Instituto Modal e sócio de diferentes empresas com o nome VOGA. Entre seus sócios está Paula Batista dos Reis, também investigada pela PF por movimentar R$ 8,1 milhões de maneira suspeita.”13 [16]
A profusão de problemas, relações políticas indefensáveis e investigações diversas nas quais Flávio Bolsonaro é mencionado parece não ter fim, como se verifica nas operações da Polícia Federal:
“Há um outro caso que está prestes a explodir no colo de Flávio. A operação “Sem Refino” da Polícia Federal investiga um esquema bilionário de sonegação envolvendo a Refit, uma empresa do setor de combustíveis. As investigações estão chegando cada vez mais perto de Flávio Bolsonaro, que viu seu aliado Cláudio Castro ser alvo de busca e apreensão… O caso tem grande potencial para arrastar Flávio para o olho do furacão. Um relatório da PF enviado ao Supremo Tribunal Federal destaca que a “a leniência e a criação de um ambiente propício para a propagação da atividade espúria desenvolvida pela organização criminosa… retratam o amálgama do crime organizado com agentes públicos influentes na política fluminense, a começar pelo então chefe do Poder Executivo.“14 [17]
É fato que existem vinculações políticas no mínimo esdrúxulas, dentre as inúmeras aqui mencionados, e Flávio Bolsonaro como candidato presidencial entra na corrida presidencial tendo que dar muitas respostas e explicações. Foi aos EUA e trabalhou “para o governo americano classificar o Comando Vermelho, o CV, como grupo terrorista (e agora) vê agora parte do seu grupo político rodando em investigações contra o mesmo Comando Vermelho.”15 [18]
Mas também é fato que o número de mentiras oriundas do metaverso bolsonarista continua aumentando. Flávio Bolsonaro foi a Washington, no dia 11 de julho de 2026, para depor como “testemunha” no âmbito da investigação conduzida pelas autoridades comerciais americanas, que decidiram, no dia 15 de julho de 2026, pela aplicação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Na abertura, da reunião realizada no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos – USTR, órgão da Casa Branca responsável por formular e coordenar a política comercial internacional americana, “o órgão informou que a investigação havia sido iniciada por “direção específica do presidente” em 15 de julho de 2025, envolvendo comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — Pix —, tarifas preferenciais, anticorrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. Flávio foi aos EUA para tentar conter e redirecionar o curso de uma investigação cuja abertura ele próprio ajudou a incitar, em julho de 2025, dentro da articulação conduzida em Washington por dois foragidos da Justiça brasileira: Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo.
O tarifaço bolsonarista, nas palavras do próprio Flávio Bolsonaro, revela uma operação que deveria provar força, mas acabou expondo a incompetência estratégica de seus articuladores — e da própria Casa Branca. O aspecto mais grave da fala de Flávio Bolsonaro no referido evento não está, entretanto, na admissão explicita de ter induzido por meio de informações falsas a ingerência estrangeira (leia-se EUA) no Brasil. Do ponto de vista da soberania e da legalidade brasileira, Flávio comparece à reunião nos EUA como senador, auto-intitulando-se “líder da oposição“ e pré-candidato à Presidência da República em ano eleitoral, sob a rubrica de “testemunha/depoente”. O Senador declarou que “se reuniu com Trump, Vance e Rubio para pedir que os EUA calibrem a pressão econômica contra o Brasil de acordo com o calendário eleitoral brasileiro.”16 [19]
O resumo da ópera buffa de Flávio Bolsonaro reside na trama engenhosa e ao mesmo tempo humorística, se não fosse trágica. Ele não é contra as tarifas, mas foi lá esmolar que elas venham depois das eleições. A afirmação a seguir resume bem o cenário atual:
“Flávio não tem mandato executivo, não representa o Estado brasileiro em matéria tarifária, comercial ou diplomática, e não possui competência institucional para negociar, em nome do país, medidas econômicas estrangeiras contra o Brasil. Ainda assim, atua como uma espécie de governo paralelo — ou de presidente paralelo — ao pedir diretamente a autoridades americanas que suspendam ou adiem uma decisão de impacto nacional.“17 [20]
Em artigo publicado no jornal The Washington Post, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) analisou as novas tarifas aplicadas aos produtos brasileiros pelo governo dos Estados Unidos. Lula escreveu que deseja continuar um comércio bilateral justo com os EUA, mas que o presidente Donald Trump não pode interferir nas eleições brasileiras. Disse ele: A intenção brasileira é “continuar a manter um diálogo aberto e construtivo, como exige a relação entre dois países como o Brasil e os Estados Unidos. Mas o destino do Brasil cabe apenas aos brasileiros determinar — sem interferência estrangeira ou subserviência“.18 [21]
Resumindo, as ações políticas e eleitorais contra o Estado brasileiro, realizadas nos EUA à luz do dia, por Flávio e Eduardo Bolsonaro, com o apoio do dublê de jornalista e empreendedor falido do ramo imobiliário e hoteleiro, Paulo Figueiredo, foram descritas na imprensa brasileira como um verdadeiro “tiro no pé“, que trouxeram um prejuízo enorme às economias do Brasil e dos EUA, propondo diretamente ao Presidente Donald Trump, tarifas às exportações e outras sanções dos EUA ao Brasil, fez a imprensa brasileira e internacional, acusá-los de Traidores da Pátria, ou seja, verdadeiros Lesa-Pátrias: “O Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido, porque o Brasil é a solução dos EUA para quebrar a dependência que eles têm com a China por minerais críticos, especialmente elementos de terras raras.”19 [22]
A frase acima é do senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), proferida durante a Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC), organizada pelo movimento conservador norte-americano, no Texas, em 28 de março de 2026. Não foi dito em off. Não foi interpretação de adversário. Não foi recorte tirado de contexto. É parte da plataforma de governo, parte do programa do candidato, “enunciado em público, diante de uma audiência estrangeira, por quem pretende governar o Brasil.”20 [23]
Flávio Bolsonaro, entretanto, não se cansa de mentir em conluio com o atual governo dos EUA. No dia 21 de julho de 2026, afirmou a embaixadores estrangeiros que “as urnas eletrônicas brasileiras compartilham a mesma origem de uma empresa venezuelana investigada por fraude — declaração desmentida pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2020.” Completou o Senador: “muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana.”21 [24]
Na Convenção do Partido Liberal, o Senador Flávio Bolsonaro foi o anfitrião de Javier Milei, o destemperado Presidente da Argentina. Em evento que contou com vídeos gerados por IA (proibidos pela legislação) e o principal convidado atacando o Presidente da República do Brasil e o Ministro do STF Alexandre de Moraes. Sobre os impropérios, proferidos pelo Presidente da Argentina, dirigidos ao Presidente do Brasil e à justiça brasileira “o Chanceler Mauro Vieira definiu as declarações do argentino como “inaceitáveis”, e afirmou que as declarações do Presidente da Argentina foram uma“interferência em assuntos domésticos, em assuntos nacionais.”22 [25]
O tema vem recorrentemente sendo considerado pela mídia, que não é obra do ‘acaso’ a presença de Milei na convenção dp PL, refeletindo o “eixo das alianças internacionais de Flávio Bolsonaro, ao lado da mensagem de Benjamin Netanyahu exibida no evento e da atuação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio … forma-se uma conexão internacional de extrema direita.”23 [26]
O TSE está monitorando vídeos de deepfakes, criados com inteligência artificial que simulam Jair Bolsonaro (PL) em campanha eleitoral pedindo votos para seu filho, no TikTok. Depois queFlávio Bolsonaro teve sua candidatura oficializada na convenção do PL, oportunidade em que foi apresentado um vídeo, com menos de um minuto, no qual o avatar avisa que se trata de uma reprodução feita por inteligência artificial e nele, “o ex-presidente Jair Bolsonado” pede apoio ao “escolhido” por ele.O site DCM faz contundente denúncia da estratégia que está por trás da campanha de Flávio Bolsonaro: “Apesar de o ex-presidente estar em prisão domiciliar e proibido de usar plataformas digitais ou fazer manifestações políticas. As peças pedem votos, convocam usuários a compartilhar conteúdos e apresentam mensagens que Bolsonaro não pronunciou.”24 [27]
Diante desse cenário de faroeste fora da lei, que a oposição parece pretender impor à campanha eleitoral, o Partido dos Trabalhadores acionou o Tribunal Superior Eleitoral [28] contra o pré-candidato do PL [29] à presidente, Flávio Bolsonaro [30]. A preocupação central do PT reside na amplificação de uma rede de perfis anônimos ou apócrifos que atacam o presidente Lula [31] com o uso de inteligência artificial. O partido pede que Flávio seja responsabilizado por isso. As ações até aqui detectadas sugerem uma orquestração. O PT afirma que se trata de uma rede integrada – dentre outros – por Léo Índio, primo dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro [32], que vem agindo com o apoio dos deputados Mário Frias (PL-SP), Gustavo Gayer (PL-GO) e Gilvan da Federal (PL-ES) e do pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, André Marinho (Novo).25 [33]
A conclusão possível diante desse cenário de terra arrasada está resumida na afirmação de Juliana Dal Piva, quando a jornalista lembrou que no processo eleitoral de 2026, com a hipótese dos vários Bolsonaros serem derrotados, “pode haver um strike na família inteira”26 [34] (grifamos), disse ela, referindo-se à jogada no boliche que derruba todos os pinos. É ver pra crer.
*Flávio Cruvinel Brandão é graduado em Economia pela Universidade de Brasília (UnB), é Analista em Ciência e Tecnologia do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/Aposentado). É também mestre em Desenvolvimento Sustentável, na área de concentração em Política e Gestão de Ciência e Tecnologia, pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Universidade de Brasília (UnB). Possui experiência nas áreas de Economia, Desenvolvimento Sustentável e Política e Gestão de Ciência e Tecnologia, tendo atuado em diversos órgãos públicos federais e distritais.
Referências bibliográficas
Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/entrevistas/o-negocio-do-jair-e-um-esquema-de-proporcao-muito-grande-diz-juliana-dal-piva-assista-a-entrevista/ [35] (Acesso julho/26)
2 Idem.
3 Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/crmpv9r7mz9o [36] (Acesso julho/26)
4 Disponível em: https://onzedemaio.com.br/jornal-da-faria-lima-estadao-diz-em-editorial-que-flavio-e-a-familia-bolsonaro-fazem-mal-ao-brasil/ [37] (Acesso julho/26)
5 Disponível em: https://www.intercept.com.br/2026/05/23/escandalos-flavio-bolsonaro-assombram-direita/ [38] (Acesso julho/26)
6 Disponível em: https://www.brasil247.com/brasil/pf-quer-colocar-flavio-bolsonaro-na-lista-da-interpol-para-rastrear-dinheiro-de-dark-horse/ [39] (Acesso julho/26)
7 Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/crmpv9r7mz9o [36] (Acesso julho/26)
8 Disponível em: https://revistaforum.com.br/politica/flavio-2-meses-sem-explicar-dark-horse/ [40] (Acesso julho/26)
9 Disponível em: https://www.intercept.com.br/2026/05/23/escandalos-flavio-bolsonaro-assombram-direita/ [38] (Acesso julho/26)
0 Disponível em: https://iclnoticias.com.br/flavio-bolsonaro-sicario-vorcaro-master/ [41] (Acesso julho/26)
1 “A casa está construída em um terreno de 2,5 mil metros quadrados, com 1,1 mil metros quadrados de área construída, distribuídos em dois andares. A mansão tem piscina, spa, academia, espaço gourmet, brinquedoteca, além de vista para o Lago Paranoá. De acordo com o jornal O Globo, a compra foi feita com uma entrada de R$ 2,87 milhões e um financiamento de R$ 3,1 milhões junto ao Banco de Brasília (BRB), contratado originalmente para ser pago em 30 anos. O financiamento foi quitado antecipadamente em 2024, cerca de 27 anos antes do prazo previsto.” (grifado no original) Disponível em: https://www.nsctotal.com.br/politica/fotos-mansao-de-r-59-milhoes-de-flavio-bolsonaro-tem-spa-e-vista-para-lago [42] (Acesso agosto/26)
2 Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2026/02/03/flavio-bolsonaro-entra-no-radar-da-cpmi-do-inss-por-ligacao-com-nucleo-das-fraudes/ [43] (Acesso julho/26)
3 Idem.
4 Disponível em: https://www.intercept.com.br/2026/05/23/escandalos-flavio-bolsonaro-assombram-direita/ [38] (Acesso julho/26)
5 Disponível em: https://www.intercept.com.br/2026/07/04/mutretas-aliados-afundam-flavio-bolsonaro/ [44] (Acesso julho/26)
6 “O resultado foi justamente o oposto do pretendido. O site South China Morning Post publicou [45] uma matéria dizendo que a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu para 9,4% no primeiro semestre de 2026, o menor nível desde 1997, enquanto a fatia da China subiu para 31,5%. A China simplesmente absorveu exportações brasileiras deslocadas do mercado americano em razão das novas tarifas.” Disponível em: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/flavio-bolsonaro-confessou-nos-eua-que-induziu-trump-a-erro-por-sara-vivacqua/#goog_rewarded [46] (Acesso julho/26)
7 Idem.
8 Ibdem.
9 Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/07/7468174-destino-do-brasil-cabe-apenas-aos-brasileiros-afirma-lula.html [47] (Acesso julho/26)
20 Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2026/05/20/quem-esta-vendendo-as-terras-raras-brasileiras-o-brasil-e-a-solucao-dos-eua/ [48] (Acesso julho/26)
21 Disponível em: https://urbsmagna.com/flavio-bolsonaro-mente-diplomatas-urnas-inelegivel/ [49] (Acesso julho/26)
22 Disponível em: https://www.poder360.com.br/poder-governo/vieira-recebe-embaixador-do-brasil-na-argentina-apos-fala-de-milei/ [50] (Acesso julho/26)
23 Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/aliado-a-rubio-milei-e-netanyahu-flavio-dobra-aposta-na-crise-externa/ [51] (Acesso julho/26)
24 Disponível em: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/deepfakes-bolsonaro-tiktok-tse-flavio-bolsonaro/ [52] (Acesso julho/26)
25 A peça protocolada é assinada pela Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB [53] e PV [54]. A campanha pede a responsabilização dos políticos e aplicação de multas individuais por publicação. O PT afirmou ao TSE que as ações contra Lula envolvem: 31 perfis identificados no circuito de publicações colaborativas; 1.464.245 seguidores somados entre as contas da rede; 23.828 publicações no conjunto monitorado; 67 publicações em collab analisadas individualmente, objeto de pedido de remoção; e um universo potencial superior a 10 milhões de seguidores, considerada a audiência das figuras públicas que replicam o material. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/07/30/pt-diz-que-flavio-amplifica-rede-de-perfis-anonimos-que-atacam-lula-com-ia-e-aciona-tse.ghtml [55] (Acesso julho/26)
26 Disponível em: https://ricardoantunes.net/juliana-dal-piva-preve-prejuizos-a-carreira-politica-dos-filhos-de-bolsonaro/ [56] (Acesso julho/26)
Foto reproduzida da Internet