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Flávio não pediu desculpas a Michelle; foi obrigado a pedir

Está no site O Antagonistaa [1]

Na política, pedidos de desculpas raramente nascem do arrependimento. Normalmente, nascem das pesquisas.

Foi exatamente essa impressão transmitida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao decidir fazer um aceno público a Michelle Bolsonaro, pedir desculpas [2] e convidá-la para “caminharem juntos” na disputa presidencial. O gesto parece menos fruto de uma súbita iluminação moral do que da constatação de que sua candidatura começava a entrar numa espiral de desgaste da qual seria difícil sair sozinho.

Somente nesta semana, Flávio viu sua pré-candidatura ser atingida por dois importantes fatos políticos: a fala tresloucada sobre as urnas eletrônicas, durante reunião com embaixadores, e a descoberta de que sua empresa advocatícia emitiu notas para o conglomerado de empresas ligados a Daniel Vorcaro. Nos dois casos, Flávio – conforme os trackings das campanhas – perdeu espaço para o eleitor independente e… do sexo feminino.

Diante desse cenário, brigar com Michelle é um luxo que Flávio simplesmente não pode se dar.

Pessoas ligadas à Michelle admitiram a este portal que o pedido de desculpas de Flávio foi o primeiro passo [3] para uma espécie de cessar-fogo entre enteado e madrasta. Michelle deu apenas um like. Ela espera mais a partir de agora. Espera ser respeitada e que, finalmente, Flávio interceda junto à militância bolsonarista para que cessem os ataques à ex-primeira-dama.

Michelle, inclusive, estaria disposta a gravar um vídeo em agradecimento a Flávio [4] para levantar, de vez, a bandeira branca. Mas, para isso, ela vai esperar ainda a reação da turma dos Estados Unidos e da Austrália.

Michelle não é apenas uma liderança partidária. Ela representa um segmento do eleitorado que Flávio precisa conquistar para chegar competitivo à eleição. O bolsonarismo tradicional continua majoritariamente masculino, mas nenhuma candidatura presidencial vence apenas falando para homens. Romper publicamente com a ex-primeira-dama significava abrir mão de um dos poucos ativos capazes de reduzir essa desvantagem.

O pedido de desculpas foi um reconhecimento dessa realidade. Não necessariamente um reconhecimento de um erro. Afinal de contas, dificilmente Flávio adotaria essa postura se estivesse bem nas pesquisas.

Agora Flávio tem a oportunidade de acertar. Mas tudo dependerá da sua disponibilidade de transformar as diferenças com a madrasta em um real movimento de união contra o PT.

Foto reproduzida da Internet

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