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Flávio perde cada vez mais apoios políticos. Ciro Nogueira (PP) já comunicou que o partido não integrará a aliança do filho de Bolsonaro

Está no Brasil 247

O endurecimento da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), marcado por ataques ao sistema eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal (STF), coincide com a perda do apoio da federação formada por União Brasil e PP. Segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (23) pelo jornal O Globo, o senador enfrenta dificuldades para ampliar sua coligação enquanto tenta recuperar o eleitorado mais identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com O Globo, o presidente do PP, Ciro Nogueira, comunicou que o partido não integrará a aliança de Flávio no primeiro turno. Como PP e União Brasil formam uma federação, a decisão também deve afastar oficialmente a segunda legenda da candidatura. Dirigentes das duas siglas defendem a neutralidade nacional e a liberação dos diretórios estaduais para firmar acordos locais.

A retirada da federação representa um revés político e eleitoral. Além de reduzir a capilaridade da candidatura, a decisão impede Flávio de ampliar seu tempo na propaganda gratuita de rádio e televisão. A campanha considerava a conversa com Ciro Nogueira uma das últimas possibilidades de reverter a tendência de neutralidade.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) chegou a ser convidada para ocupar a vaga de vice, mas recusou a proposta. Segundo as informações publicadas, ela pretende disputar a presidência do Senado em 2027.

Na prática, os diretórios estaduais do PP poderão escolher caminhos diferentes. Em São Paulo, integrantes da legenda devem apoiar Flávio, enquanto na Paraíba setores do partido poderão se alinhar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Republicanos também se afasta da candidatura

Com o desembarque de União Brasil e PP, o Republicanos poderia se transformar no principal alvo de uma nova articulação da campanha. O cenário, porém, também é desfavorável. Interlocutores da legenda avaliam que as possibilidades de uma aliança no primeiro turno estão diminuindo.

O afastamento ganhou força depois que Flávio, em discurso dirigido a diplomatas na terça-feira (21), levantou suspeitas sem provas sobre as urnas eletrônicas e defendeu o envio do “máximo possível” de observadores estrangeiros para acompanhar a eleição de outubro.

A manifestação aumentou as dúvidas entre partidos do centro sobre a capacidade do senador de construir uma candidatura além do eleitorado bolsonarista. Também provocou desconforto dentro do próprio PL, cuja direção considera contraproducente retomar um assunto relacionado à inelegibilidade de Jair Bolsonaro.

Integrantes das cúpulas de União Brasil, PP e Republicanos avaliam reservadamente que Flávio abandonou parte do perfil pragmático apresentado no começo da pré-campanha. Em dezembro de 2025, durante uma conversa com empresários em São Paulo, o senador definiu-se como moderado e tentou estabelecer diferenças em relação ao pai.

“Ele não quis tomar vacina, eu tomei duas doses”, afirmou Flávio ao O Globo naquele mês.

Tarcísio cobra abandono do ataque às urnas

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), contestou publicamente a estratégia adotada pelo pré-candidato. Na quarta-feira (22), durante a comemoração dos 25 anos da BandNews TV, ele reafirmou sua confiança no sistema eletrônico de votação e defendeu que a campanha concentre o debate em propostas.

“É importante olhar o que o Brasil vai precisar, sair dessa discussão que não vai levar a lugar nenhum e começar a pensar em projetos”, disse Tarcísio.

A crítica tem peso porque São Paulo é considerado um estado decisivo para a estratégia eleitoral de Flávio. O governador também integra o Republicanos, partido do qual a campanha espera obter apoio após a decisão de União Brasil e PP.

A ex-presidente da Caixa Daniella Marques, considerada uma possível candidata a vice, também é filiada ao Republicanos. Sua entrada na chapa, portanto, dependeria de um entendimento formal com a direção partidária.

Campanha tenta reconstruir identidade bolsonarista

A radicalização do discurso faz parte de uma tentativa de recuperar a mobilização da base mais fiel a Jair Bolsonaro. Diante da piora nas pesquisas e dos desgastes acumulados, parte da equipe concluiu que seria necessário consolidar novamente esse eleitorado antes de buscar apoio entre setores moderados.

Desde então, vídeos do ex-presidente passaram a aparecer com maior frequência nas redes sociais de Flávio. Os jingles também começaram a explorar de maneira mais direta o legado político do pai, enquanto compromissos pelo país passaram a incluir recepções organizadas por apoiadores em aeroportos.

Até mesmo o grito de “mito”, associado às campanhas de Jair Bolsonaro, voltou a ser utilizado nesses atos. A estratégia procura reproduzir símbolos e métodos que ajudaram o ex-presidente a manter uma relação direta com seus seguidores.

Flávio também ampliou a realização de transmissões ao vivo. Em uma delas, feita depois de o ministro Alexandre de Moraes restringir por 90 dias as visitas ao ex-presidente, o senador apareceu em uma sacada no Rio de Janeiro, com uma bandeira brasileira ao fundo.

O formato improvisado foi bem avaliado por integrantes da campanha devido ao engajamento obtido. A estética voltou a ser empregada em uma transmissão com Daniella Marques para apresentar propostas destinadas ao público feminino.

Caso Banco Master agravou isolamento político

A mudança de estratégia também ocorreu após a divulgação de diálogos entre Flávio e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Nas conversas, o senador aparece cobrando recursos para financiar “Dark horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.

O episódio aumentou a pressão sobre a pré-campanha e reforçou a avaliação interna de que Flávio precisava reaproximar-se do núcleo mais fiel do bolsonarismo. Ao mesmo tempo, contribuiu para deteriorar sua interlocução com Ciro Nogueira.

Segundo interlocutores citados pela reportagem, o presidente do PP ficou insatisfeito com o afastamento de Flávio depois de ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal. A investigação apura uma suposta atuação do parlamentar em favor de Vorcaro.

Antes do episódio, Ciro era considerado um dos principais defensores de uma aliança entre o PP e Flávio. Na noite de terça-feira (21), porém, dirigentes da sigla reuniram-se com ele em Brasília e acertaram a adoção da neutralidade na eleição presidencial.

Com a decisão praticamente consolidada e o Republicanos mais resistente a um acordo, a candidatura de Flávio entra em uma etapa de maior dependência da base bolsonarista. A estratégia de repetir o estilo do pai pode fortalecer o senador entre eleitores já alinhados ao grupo, mas amplia as dificuldades para conquistar partidos do centro e construir uma coligação mais abrangente.

Foto reproduzida da Internet

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