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O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), defendeu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busque o equilíbrio das contas públicas por meio do combate a privilégios e desperdícios, sem promover cortes em programas sociais. Segundo ele, a responsabilidade fiscal deve caminhar ao lado da preservação dos compromissos assumidos pelo presidente durante a campanha eleitoral.
Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo [1], Fonteles, que teve papel importante na campanha de reeleição de Lula e é citado por aliados como possível ministro da Fazenda, afirmou que o debate econômico não deve ficar restrito à redução de despesas, mas considerar diferentes instrumentos para assegurar a sustentabilidade das contas públicas.
“Eu não costumo nem usar a palavra ajuste. Eu uso a palavra equilíbrio fiscal, justamente para demonstrar que são múltiplas as possibilidades de buscar esse equilíbrio”, afirmou.
O governador foi enfático ao defender a preservação das políticas sociais. “Isso envolve corte de privilégios e de desperdício e não vai envolver, com o presidente Lula, qualquer prejuízo social, qualquer corte em programas sociais que ele já constituiu e com que se comprometeu novamente na campanha eleitoral.”
Fonteles lembrou que os dois primeiros governos Lula registraram superávits primários e argumentou que o presidente já demonstrou capacidade de combinar responsabilidade fiscal, investimentos públicos e políticas de inclusão social. Para ele, a sustentabilidade da dívida pública é fundamental para criar condições de redução dos juros e estimular o crescimento econômico.
O governador também afirmou que as propostas apresentadas por Lula durante a campanha foram discutidas com a equipe econômica e poderão ser implementadas dentro das regras do arcabouço fiscal ao longo dos próximos quatro anos. Entre elas, citou o Pé-de-Meia Universitário, a tarifa zero no transporte público aos fins de semana e o Prospera MEI.
Ao abordar sua experiência administrativa, Fonteles destacou que o Piauí registrou superávit até agosto e adotou um marco fiscal e orçamentário de médio prazo, destinado a melhorar o planejamento dos investimentos públicos.
Ele explicou que operações de crédito voltadas à realização de obras podem produzir déficits primários contábeis, uma vez que os empréstimos não são classificados como receitas primárias, enquanto os investimentos aparecem como despesas. Por isso, defendeu uma avaliação das contas públicas que considere também a natureza e a finalidade dos gastos.
Fonteles nega convite para o Ministério da Fazenda
Apontado por aliados como um dos possíveis nomes para comandar o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula, Fonteles negou ter discutido qualquer cargo com o presidente.
“Eu não conversei nada com o presidente sobre cargo e não falei sobre qualquer coisa relacionada à política econômica”, declarou.
O governador afirmou que está concentrado na preparação de seu segundo mandato no Piauí e que pretende superar os resultados da primeira gestão.
“Estou preparado para tomar posse, ser diplomado. Vou tomar posse, vou querer fazer um governo muito melhor do que o primeiro que eu fiz”, afirmou.
Reeleito com 71% dos votos no primeiro turno, Fonteles ganhou projeção nacional por sua participação na campanha presidencial. O Piauí foi o estado que proporcionalmente mais votou em Lula, com 70,99% dos votos válidos no primeiro turno e 75,88% no segundo.
Matemático de formação, Fonteles participou da coordenação da campanha petista na etapa decisiva da eleição e passou a ser mencionado como uma das lideranças emergentes do partido.
Críticas a Flávio Bolsonaro
Na entrevista, Fonteles também criticou a atitude de Flávio Bolsonaro, que deixou o Brasil e divulgou uma carta na qual se autodeclarou presidente eleito, apesar da vitória de Lula nas urnas.
O governador classificou a iniciativa como inócua, mas reconheceu que o bolsonarismo continua sendo uma força política relevante no país.
Para Fonteles, o novo mandato de Lula deverá combinar estabilidade econômica, manutenção dos programas sociais e capacidade de investimento, buscando o equilíbrio fiscal sem transferir à população mais vulnerável o custo da reorganização das contas públicas.
Foto: Partido dos Trabalhadores