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O ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) abriu nesta quarta-feira (21) o encontro de chanceleres do G20, o grupo das maiores economias do mundo.
O ministro afirmou que o Brasil não aceita um mundo em que as diferenças sejam resolvidas pela força militar e disse que a ONU [1] está paralisada.
“Nossas posições sobre os casos ora em discussão no G20, em particular a situação na Ucrânia e na Palestina, são bem conhecidas e foram apresentadas publicamente nos foros apropriados, como o Conselho de Segurança da ONU e a Assembleia Geral da ONU”, disse ele.
Vieira discursou na abertura do evento, que ocorre até quinta-feira (22) no Rio de Janeiro.
O ministro também criticou o orçamento militar e comparou com o dinheiro que é gasto com assistência: “Não é minimamente razoável que o mundo ultrapasse – e muito – a marca de US$ 2 trilhões em gastos militares a cada ano. A título de comparação, os programas de ajuda da Assistência Oficial ao Desenvolvimento permanecem estagnados em torno de US$ 60 bilhões por ano – menos de 3% dos gastos militares”.
Faltam ações concretas para resolver problemas de desigualdade e mudanças climáticas, que ameaças existenciais, segundo ele.
Vieira disse que “os casos bem-sucedidos de cooperação pacífica da América Latina, África, Sudeste Asiático e Oceania fazem com que as vozes dessas regiões devam ser ouvidas nos foros relevantes com especial cuidado e atenção”.
O principal tema do encontro, segundo o Itamaraty, será a reforma de organismos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas (ONU).
Também serão debatidos o combate à fome e a transição energética —essa será uma prévia da cúpula com participação dos chefes de estado do G20, a ser realizada em 18 e 19 de novembro, também no Rio.
Entre outros, estão no evento desta quarta-feira Anthony Blinken, secretário de Estado [2]do governo Joe Biden, dos Estados Unidos, e Sergei Lavrov, da Rússia. Veja abaixo a lista completa dos representantes presentes no encontro.
Nesta quarta (20), a Casa Branca responsabilizou a Rússia pela morte de Alexei Navalny [3], líder da oposição morto na sexta-feira (16) em uma prisão na Sibéria. [4]
Blinken se encontrou com o presidente Lula e, depois da reunião do G20, vai a Buenos Aires para um encontro com Javier Milei, da Argentina. Lavrov esteve em Cuba e na Venezuela [5] antes de chegar ao Brasil.
O G20 não é uma instituição como a ONU ou a Organização Mundial do Comércio, que têm secretariado. Na prática,é um grupo de diálogo. Ao país que preside temporariamente o G20, cabe receber os representantes de outros países, organizar as reuniões e pautar as discussões.
O Brasil preside desde 1º de dezembro de 2023 o G20. O mandato vai até 30 de novembro deste ano.
Foto reproduzida da Internet