O lamaçal de denúncias em que se encontra o Congresso Nacional me faz lembrar as palavras de Garibaldi Alves (PMDB-RN), quando presidente do Senado, ao proferir a aula magna do primeiro período letivo de 2008 na Reitoria da UFRN [Universidade Federal do Rio Grande do Norte], convidado que foi pelo reitor Ivonildo Rego.
O desafio de Garibaldi naquela época era limitar o uso de medidas provisórias enviadas pelo governo à Casa. Nada comparado aos escândalos que o Parlamento maior do país vive hoje. E olha que o senador peemedebista estava com uma missão de recuperar a imagem da Casa desgastada pelo escândalo que afastou Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência.
De jornalistas, apenas eu e profissionais da assessoria da UFRN como testemunhas, lamentavelmente:
Disse Garibaldi naquela ocasião:
– A esta altura da minha vida, com a experiência de tantos anos de vida pública, posso assegurar: entre os que abraçam a carreira política, poucas qualidades podem se equiparar à coragem. Refiro-me à coragem que não desdenha da prudência e da serenidade, mas admite atos e palavras que se confundam com acovardamento. Coragem para tocar o dedo na ferida, conciente de ser esta a única forma de se atingir a verdadeira cura. Coragem para destoar do coro dos contentes e dos acomodados, quando se sabe serem muitos os problemas existentes, ainda que envoltos sob o manto do conveniente esquecimento. Coragem, enfim, para dizer o que é preciso ser dito, mesmo que alto seja o preço a pagar pela ousadia.
Obs do blog: Nada mais atual do que esse pronunciamento de Garibaldi