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Gasolina mais cara aumenta desgaste de Trump em crise com o Irã

Está no Brasil 247

A alta de 29% no preço da gasolina nos Estados Unidos transformou o impasse com o Irã em um problema doméstico para Donald Trump, em meio ao bloqueio do estreito de Ormuz e à pressão sobre o mercado global de petróleo.

As informações são da Sputnik Brasil [1], com base em apuração publicada neste domingo (16). Segundo a reportagem, Teerã mantém a hidrovia praticamente paralisada e afirma que só aceitará reabri-la se Washington reconhecer a “derrota” e abandonar “fantasias”.

O estreito de Ormuz é uma das rotas mais sensíveis do comércio energético internacional. Antes da guerra, por ali passava cerca de um quinto do petróleo mundial. Com o bloqueio iniciado após o impasse provocado por Estados Unidos e Israel em fevereiro, a interrupção do fluxo marítimo passou a afetar diretamente os mercados e a elevar a pressão sobre a economia estadunidense.

De acordo com a mídia britânica citada na matéria, o vice-ministro iraniano Kazem Gharibabadi afirmou que o controle do estreito ficará exclusivamente nas mãos do Irã. A posição amplia o impasse com o governo estadunidense, que tenta sustentar pressão militar e diplomática sobre Teerã.

O chanceler iraniano Abbas Araghchi também indicou que o país ainda não decidiu se retomará negociações com Washington. Segundo a reportagem, qualquer avanço dependeria do atendimento de exigências relacionadas à segurança e à navegação na região.

Nos Estados Unidos, a escalada do preço dos combustíveis passou a atingir diretamente o debate político. Em comício em Nova York, Trump pediu aos estadunidenses que aceitassem pagar “um pouquinho mais pela gasolina”, argumento que vinculou à necessidade de impedir que “um país muito malvado” obtenha armas nucleares.

A fala ocorre em um momento de desgaste para o governo, com democratas explorando o impacto econômico da guerra no debate das eleições legislativas. A gasolina 29% mais cara em relação ao ano anterior alimenta a inflação e reforça críticas ao custo interno da política externa de Washington.

A tensão também se refletiu nos mercados de energia. Os futuros do Brent e do WTI registraram altas semanais relevantes, enquanto o tráfego marítimo no estreito caiu de forma brusca. Segundo a empresa de rastreamento Kpler, apenas dois navios cruzaram Ormuz na sexta-feira (14), contra mais de 130 por dia antes do conflito.

Além do bloqueio, a insegurança na região aumentou após ataques a embarcações. A estatal de Abu Dhabi relatou que três navios foram atingidos por mísseis ou drones. O Reino Unido confirmou que um graneleiro foi atingido por um projétil não identificado, sem registro imediato de vítimas ou danos ambientais.

Apesar da postura dura contra Washington, o Irã também enfrenta consequências econômicas. O presidente Masoud Pezeshkian atribuiu a inflação doméstica ao bloqueio estadunidense aos portos iranianos e às sanções contra as exportações de petróleo. Em resposta, Trump e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, prometeram novas medidas financeiras contra Teerã.

Sem perspectiva de acordo imediato, o estreito de Ormuz permanece como ponto central da crise entre Estados Unidos e Irã. O impasse combina risco militar, impacto sobre o abastecimento global de petróleo e pressão política interna nos dois países.

Foto reproduzida da Internet

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