Está no Blog da Andréia Sadi
Alvo de busca e apreensão na operação da Polícia Federal (PF) [1] por supostamente ter concordado com a tentativa de golpe de Estado, o general Estevam Theophilo Gaspar de Oliveira integrou o Alto Comando do Exército até 30 de novembro de 2023, já sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Theophilo foi comandante de Operações Terrestres entre o final de março de 2022 ao final de novembro de 2023. Segundo a Polícia Federal, trata-se da unidade com o maior contingente de tropas do Exército.
De acordo com as investigações, em 9 de dezembro de 2022, Theophilo se reuniu com o então presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada e supostamente consentiu com a adesão ao Golpe de Estado, desde que o presidente da República assinasse a medida, conforme conversas encontradas no celular do ajudante de ordens Mauro Cid.
Ainda segundo a Polícia Federal, o general seria o responsável pelo emprego do Comando de Operações Especiais do Exército.
“Nesse sentido, além de ser o responsável operacional pelo emprego da tropa caso a medida de intervenção se concretizasse, os elementos indiciários já reunidos apontam que caberiam às Forças Especiais do Exército (os chamados Kids Pretos) a missão de efetuar a prisão do Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes assim que o decreto presidencial fosse assinado”, diz a decisão do ministro.
O Alto Comando do Exército é formado pelos generais 4 estrelas na ativa, os de mais alta patente, e pelo Comandante do Exército.
Segundo o Exército, Theophilo foi promovido a general 4 estrelas do Exército em novembro de 2019, passando a integrar o Alto Comando. Ele passou para a reserva em novembro de 2023 e deixou o Comando de Operações Terrestres.
Ajuda a Cid
Conforme as investigações, já no governo Lula, Theophilo usou o cargo para buscar uma espécie de “blindagem institucional” para “afastar medidas de responsabilização criminal”.
No dia 2 de janeiro de 2023, de acordo com a Polícia Federal, o tenente-coronel Mauro Cid encaminhou uma notícia ao general Theophilo com a informação de que poderia ser preso nas primeiras semanas daquele ano.
“Fique tranquilo, Cid. Vou conversar com o Arruda hoje. Nada lhe acontecerá”, respondeu Theophilo.
Segundo a investigação, Arruda seria o então comandante do Exército, general Júlio Cesar de Arruda, que só foi exonerado no dia 21 de janeiro.
Para a Polícia Federal, os investigados procuraram se manter em postos estratégicos mesmo depois do início do novo governo para ter “o controle da força operacional militar e a garantia de superiores hierárquicos que supostamente exerceriam o poder do cargo para afastar medidas de responsabilização criminal que pudessem advir das condutas praticadas pela organização criminosa”.
Foto: Revista Sociedade Militar