Está no Blog do Hélio Gurovitz
“Não consigo respirar.” A frase de George Floyd enquanto era assassinado pelo policial Derek Chauvin (sic) entrará nos livros de história como a melhor expressão do mundo sufocado. Pela pandemia, mas também pelo racismo, pela violência policial e pelo autoritarismo, que surgem como reflexo condicionado de lideranças ineptas.
Não foi o novo coronavírus que desencadeou uma síndrome respiratória aguda e matou Floyd. Não foi o ar viciado nos ambientes fechados das quarentenas. Não foi uma máscara a tapar-lhe a boca e as narinas. Foram os joelhos de Chauvin em seu pescoço. Foi a violência racista daquele cujo dever era protegê-lo, não matá-lo.
Manifestações em protesto contra o assassinato de Floyd tomaram conta dos Estados Unidos. Nem todas pacíficas. Em meio à confusão, parte da polícia preferiu atacar ou reagir com violência. Outra parte se solidarizou com os manifestantes. O presidente Donald Trump procura pretextos jurídicos para mandar o Exército investir não contra um inimigo externo, mas contra a própria população.
O chefe de Estado Maior saiu às ruas fardado. Trump usou o escudo de policiais e gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes, reunidos pacificamente na frente da Casa Branca em desafio ao toque de recolher. Atravessou a rua e foi brandir uma Bíblia, em gesto ridículo diante de uma igreja. Quer classificar todos como baderneiros. Invoca a preservação da ordem como mote, de olho na reeleição.
Imagem reproduzida da Internet