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Gilmar Mendes aponta Faria Lima como `endereço´ do caso Master e defende STF

Está no Brasil 247

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o foco das investigações sobre o caso Banco Master deveria recair sobre o sistema financeiro, especialmente na região da Faria Lima, em São Paulo, e não sobre os Três Poderes. Segundo ele, as apurações revelam falhas estruturais na regulação e possíveis conexões mais amplas que extrapolam o âmbito do Judiciário.

O decano do STF concedeu entrevista à TV Globo na qual analisou os desdobramentos do caso e defendeu a atuação de ministros da Corte, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que têm sido alvo de críticas e pedidos de impeachment no Congresso Nacional.

Gilmar Mendes destacou que a situação envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, preso sob suspeita de fraude bilionária, foi tratada de forma inadequada ao ser vinculada diretamente ao Supremo. Para ele, o problema é mais amplo e envolve a estrutura do sistema financeiro. 

“Essa é uma questão que cada qual deverá fazer o devido encaminhamento. O que me parece que é importante que se diga é que esta questão do Vorcaro, Master e tudo mais que a imprensa, ou parte da imprensa, transformou num ‘case’ do Supremo Tribunal Federal é um problema talvez mais profundo, que revela problemas de regulação, participação do sistema financeiro. A mim me parece que a imprensa trouxe o caso Vorcaro para a Praça dos Três Poderes. Eu, se fosse buscar um endereço do caso Vocaro ou Master veria ele na Faria Lima”, afirmou.

Crise institucional e questionamentos ao STF

A entrevista ocorre em meio a uma crescente pressão política sobre o STF. Dados recentes da pesquisa Quaest indicam que, pela primeira vez, a parcela da população que declara não confiar na Corte (49%) superou a dos que afirmam confiar (43%). Esse cenário tem sido acompanhado por uma série de pedidos de impeachment contra ministros, especialmente Alexandre de Moraes.

As críticas incluem supostos conflitos de interesse envolvendo contratos e relações pessoais com investigados no caso Banco Master. No caso de Dias Toffoli, ele deixou a relatoria do processo após surgirem indícios de conexões com Vorcaro, incluindo transações financeiras relacionadas a um empreendimento turístico.

Gilmar Mendes, no entanto, ressaltou que as medidas adotadas pelos ministros seguem critérios institucionais. Segundo ele, Moraes sequer integra a turma responsável pelo julgamento do caso, o que indicaria um “impedimento fático”, enquanto Toffoli decidiu se afastar “juntamente ao tribunal” diante dos questionamentos.

Defesa do inquérito das fake news

Outro ponto central da entrevista foi a defesa da continuidade do inquérito das fake news, conduzido por Alexandre de Moraes desde 2019. O procedimento tem sido alvo de críticas da oposição, que questiona sua duração e alcance.

Gilmar Mendes afirmou que a investigação ainda é necessária diante dos ataques à Corte. “Eu tenho a impressão de que o inquérito continua necessário. E ele vai acabar quando terminar, é preciso que isso seja dito em alto e bom som. O tribunal tem sido vilipendiado”, declarou.

O ministro também criticou iniciativas parlamentares que, segundo ele, desviam o foco de investigações relevantes. “Veja por exemplo a coragem, eu diria a covardia, do relator da CPI do Crime Organizado de atacar a Corte, pedir indiciamento de pessoas, não cuidando de quem efetivamente cometeu crimes. Isto pode ser deixado assim? Acho que não, é preciso que haja resposta”, acrescentou.

Embate com Romeu Zema amplia tensão

A tensão institucional também se estendeu ao campo político após Gilmar Mendes solicitar a inclusão do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, no inquérito das fake news. O pedido foi motivado por um vídeo publicado por Zema, no qual critica decisões do STF.

No documento enviado ao ministro Alexandre de Moraes, Gilmar argumentou que o conteúdo “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”.

Zema reagiu publicamente, classificando a medida como “absurda” e reafirmando críticas à atuação do Judiciário. Parlamentares da oposição também se manifestaram, defendendo a liberdade de expressão e criticando o que consideram uma escalada de restrições a opiniões políticas.

Foto reproduzida da Internet

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