- blogdobarbosa - https://blogdobarbosa.jor.br -

Giselda Trigueiro, referência no RN, tem média mensal de 250 atendimentos a soropositivos

por Cassilda Lima

Receber um diagnóstico positivo de HIV é algo que causa um turbilhão de emoções em qualquer pessoa. E quando se trata de algo que pode ser tão grave para a saúde, a maior preocupação é com a garantia do tratamento.

No Brasil, todas as pessoas que testam positivo para HIV têm acesso ao tratamento gratuito pelo SUS, independente da carga viral. Atualmente a pessoa portadora de HIV pode ter uma vida completamente normal, desde que receba o atendimento adequado, incluindo medicações, exames e consultas.

No Rio Grande do Norte a população conta com o Hospital Giselda Trigueiro, unidade da rede estadual de saúde que é referência no atendimento a pessoas que convivem com HIV/Aids. Somente no ambulatório de HIV do hospital foram realizados, em 2016, três mil atendimentos, o que dá uma média de 250 atendimentos por mês.

Os pacientes com HIV recebem atendimento exclusivo na unidade. É lá que encontram especialistas para tratar tanto da doença em si, como para tratar os problemas de saúde decorrentes dela. “Os pacientes contam com o hospital-dia, que são leitos onde podem permanecer por algumas horas, para a administração de medicamentos, além de especialistas em dermatologia, proctologia, urologia, ginecologia, psiquiatria, psicologia, reumatologia, pneumologia e ortopedia”, explica a diretora médica, Célia Pereira. Além das consultas, são agendados exames de imagem, ambulatoriais e sorologias, de acompanhamento da imunidade e carga viral, e na farmácia os pacientes podem receber as medicações fornecidas pelo Ministério da Saúde.

Além do programa HIV/Aids, o hospital é responsável pelo atendimento ambulatorial em Tuberculose, Hepatites Virais, Hanseníase e Calazar. “Os pacientes que não respondem ao tratamento na rede básica e necessitam de procedimentos especializados devem ser encaminhados pelo médico da unidade municipal de saúde, que deverá preencher a Ficha de Referência”. As pessoas atendidas nesses programas contam com os mesmos ambulatórios de especialidades.

“Na Gestão Colegiada dividimos os problemas e as soluções”

No Hospital Giselda Trigueiro as decisões não são tomadas apenas por um pequeno grupo de diretores. Elas são compartilhadas, de modo que cada setor pode expor seus problemas, e as soluções são encontradas em grupo, considerando as experiências vivenciadas por cada área.

A implantação desta forma de gestão começou a ser implantada há 10 anos, quando a escolha dos diretores da unidade passou a ser feita pelos médicos que ali trabalham. Com o passar dos anos, as decisões foram envolvendo diversos setores. Até chegar ao formato atual, foram feitos treinamentos, oficinas e discussões de casos, até a formação atual, composta por Colegiado Gestor Ampliado, Colegiados das Unidades de Produção, Grupos de Apoiadores e Ouvidoria.

“A grande vantagem deste tipo de gestão é a corresponsabilização nos diversos processos, descentralizando as decisões e ações, valorizando as experiências e os saberes dos personagens atuantes”, explica Célia Pereira, que atualmente é diretora médica e trabalha no HGT há 16 anos.

O Colegiado Gestor Ampliado é composto pela direção geral, técnica, médica, administrativa e de enfermagem, gerentes e suplentes das unidades de produção, tanto assistenciais como administrativas. Este grupo se reúne quinzenalmente às segundas-feiras. Os demais grupos se reúnem de acordo com as dinâmicas de cada setor. No Giselda Trigueiro a Ouvidoria é responsável por acolher e encaminhar não apenas as demandas externas, mas também dos funcionários e colaboradores.

Quando devo procurar o HGT?

Por oferecer um atendimento especializado, o hospital não deve receber demanda espontânea. Ou seja, são as UPA’s que identificam a necessidade deste tipo de atendimento para doenças infectocontagiosas e para lá encaminham o paciente.

“Aqui chegam pacientes com meningite, calazar, tuberculose, AIDS e pessoas que sofreram acidentes com cobras venenosas, que são encaminhados para o Giselda Trigueiro quando necessitam de tratamento especializado. Mordeduras por cães, gatos, escorpiões, devem ser atendidas em unidades de saúde municipais, que farão a regulação dos pacientes quando necessário”, explica a diretora.

No HGT não há pronto-socorro infantil. As crianças diagnosticadas com doenças infectocontagiosas são transferidas para lá pelos hospitais pediátricos Maria Alice Fernandes e Hospital Municipal de Natal.

A diretora explica que muitas pessoas ainda se confundem com o verdadeiro perfil de atendimento do hospital. “O Giselda Trigueiro é um hospital de porta regulada, por isso o usuário não deve nos procurar diretamente”. A unidade deve receber os casos específicos do seu perfil, para que possa garantir atendimento integral e de qualidade.

Foto: Ascom/Sesap

 

Compartilhe:
[1] [2]