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Globo tentou abafar denúncias de assédio, mas vítimas pressionam para que Marcius Melhem seja punido

Está no site Brasil 247

Demitido depois de quase duas décadas de Rede Globo e sendo um poderoso diretor do núcleo de humor da emissora, as revelações dos motivos que levaram a Globo a tomar tal medida confirmam as denúncias de assédio sexual por parte de Marcius Melhem.

Melhem tinha sido acusado de assédio sexual pela atriz Dani Calabresa, que procurou o compliance da emissora para fazer a denúncia. A partir da denúncia de Calabreza, outras mulheres mulheres buscaram o departamento para relatar fatos semelhantes. Descreveram tentativas de as agarrar à força, envio de mensagens inconvenientes, ambiente tóxico de trabalho.

A emissora tentou abafar o caso e nada disse sobre as denúncias em nota que comunicava o desligamento de Melhem.

De acordo com reportagem da colunista Mônica Bergamo [1], a medida causou indignação entre as mulheres que denunciaram o assédio e elas se organizaram para reclamar sobre o desfecho com a direção da emissora. 

“O apoio a elas cresceu, e um grupo de mais de 30 funcionários ou parceiros da empresa participou de reuniões internas na empresa sobre esse assunto. A Folha vem desde então acompanhando o caso”, destaca Bergamo.

De acordo com a advogada criminalista Mayra Cotta, que as assessora seis vítimas de assédio sexual e seis testemunhas, “há vítimas de assédio moral. E há um grupo de apoio a elas, de mais de 30 pessoas”.

“As vítimas e as testemunhas que eu represento depuseram no processo de compliance [aberto pela TV Globo para apurar denúncias contra o ex-diretor]. O processo foi encerrado e elas estavam sem saber muito bem como se organizar para que essa história tivesse um desfecho que reconhecesse tudo o que elas passaram e toda a gravidade do comportamento que o Marcius Melhem teve enquanto ele foi chefe”, explica a advogada.

“Houve um comportamento recorrente, de trancar mulheres em espaços e as tentar agarrar, contra a vontade delas. De insistir e ficar mandando mensagem inclusive de teor sexual para mulheres que ele decidia se iam ser escaladas ou não para trabalhar, se ia ter cena ou não para elas [nos programas de humor]. De prejudicar as carreiras de mulheres que o rejeitaram. De ficar obcecado, perseguindo mesmo. Foi um constrangimento sistemático e insistente, muito recorrente”, revela.

Segundo relatos, Melhen “isolava as atrizes, tinha o poder de não as deixar ir para outros lugares [na emissora], fazer outras coisas” e ainda criava um ambiente de trabalho tóxico. 

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