A governadora Wilma de Faria (PSB) vai priorizar a sucessão do prefeito Carlos Eduardo Alves (PSB) nas eleições municipais do próximo ano. Embora em muitos municípios do estado os socialistas devam apresentar candidaturas próprias, Wilma dará atenção especial na capital por motivos óbvios. Ela entende que a sua maior base eleitoral está concentrada na capital, e perder uma eleição agora seria prejudicial ao seu projeto político de se eleger senadora.
Para Wilma não importa se o candidato que terá o seu apoio será o deputado federal Rogério Marinho (PSB) ou não. Existe a possibilidade dela apoiar até a deputada estadual Micarla de Souza (PV) ou até mesmo o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB). Muitos dirão: impossível isso acontecer. Enganam-se! A política é muito dinâmica e nada está descartado.
Wilma sabe jogar o jogo político melhor do que ninguém no Rio Grande do Norte. Faz isso como se jogasse uma partida de xadrez e já provou isso. Tudo é pensado antes de dá um lance. Daí porque um apoio a uma candidatura de Henrique Eduardo à prefeito de Natal não está descartada.
Henrique, todos sabem, deseja ser o próximo presidente da Câmara dos Deputados. Existe um acordo entre PMDB e PT que o próximo presidente da Casa será um peemedebista. Hoje quem preside a Câmara é o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que foi eleito com apoio do PMDB. O parlamentar potiguar tem se apresentado como um grande articulador junto ao governo Lula, como líder do seu partido e da bancada governista na Câmara, e tenta se credenciar para substituir Chinaglia.
Ocorre que agora surgiu um fato novo: o senador Garibaldi Alves, primo de Henrique e pertencente ao PMDB, se lançou candidato à sucessão de Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado. Se a eleição de Garibaldi se consolidar, fica difícil Henrique vaibilizar o seu projeto. Além de serem primos, os dois pertencem ao mesmo partido, e dificilmente o PT aceitaria o PMDB dirigir as duas casas – Câmara e Senado. É aí que entra o “projeto prefeitura de Natal.”
As conversas entre Wilma e Henrique já vêm de algum tempo. Os dois negam qualquer reaproximação entre o PSB e o PMDB, mas que existe as conversas existem. Com Henrique candidato a prefeito de Natal, Wilma alcançaria dois objetivos: anular qualquer tentativa de reaproximação de Carlos Eduardo com o PMDB, se ele romper com ela, e amarraria os peemedebistas para o seu projeto maior que é chegar ao Senado.
Com três candidatos – ela [Wilma], Garibaldi e José Agripino (DEM) – disputando duas vagas, um ficará de fora. Com o PMDB ao lado dela, Wilma sabe que as chances dela e Garibaldi ocuparem as duas vagas são muito grande. Nesse caso, o PSB e o PMDB teriam dois candidatos para escolher para concorrer ao governo do estado em 2010. Os nomes seriam o do vice-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), ou o do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Robinson Faria (PMN).
O problema aí é só o senador Garibaldi que não admite uma reaproximação com Wilma e tem dito que a sua candidata ao governo nas eleições de 2010 é a senadora Rosalba Ciarlini, do DEM. Com isso fica claro que ele quer manter a aliança do PMDB com o DEM do do senador José Agripino. Se Garibaldi for eleito presidente do Senado fortalece o PMDB do RN, e o quadro sucessório pode mudar. É apostar pra vê no que vai dar.