Está no Brasil 247
Integrantes do governo brasileiro acompanham com preocupação a possibilidade de Donald Trump retornar à Presidência dos Estados Unidos, preparando-se para um cenário que pode trazer novas tensões entre os dois países. De acordo com reportagem [1] da Folha de S. Paulo, uma vitória republicana nas próximas eleições americanas pode intensificar divergências em temas sensíveis. Na última sexta-feira (1º), Lula expressou abertamente sua torcida por Kamala Harris, vice-presidente dos Estados Unidos, ao falar sobre o avanço de ideologias extremistas em nível global. “Como sou amante da democracia, acho a coisa mais sagrada que nós humanos conseguimos construir para governar bem o nosso país. Obviamente, estou torcendo para Kamala vencer as eleições”, declarou. Lula associou uma possível vitória de Trump ao que vê como uma “nova face do nazismo e fascismo no mundo”.
Para a diplomacia brasileira, um dos pontos mais críticos com Trump seria a interrupção de cooperação ambiental. Em seu primeiro mandato, o republicano retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris e favoreceu a indústria de combustíveis fósseis, que hoje apoia financeiramente sua campanha. Em um cenário em que Trump volte ao poder, o Brasil teme que fundos importantes, como o Fundo Amazônia, permaneçam bloqueados pelo Congresso americano, caso este seja dominado pelos republicanos.
Outro ponto de atenção é a proximidade de Trump com Elon Musk, dono da plataforma X (antigo Twitter) e um dos principais financiadores do ex-presidente americano. Recentemente, Musk teve atritos com o ministro Alexandre de Moraes e seu apoio a Trump deve reforçar essa aliança. A presidente do Brazil Institute, Bruna Santos, afirma que “há articulações no Congresso dos EUA para questionar o Brasil sobre alegadas violações de liberdade de expressão, e isso deve ganhar força com Trump”. Segundo ela, isso abriria espaço para uma “guerra de narrativas exaustiva e pouco produtiva”.
Analistas de política internacional apontam que, na América Latina, Trump provavelmente buscará novos aliados, como Javier Milei, presidente eleito da Argentina, e Nayib Bukele, presidente de El Salvador, que se alinham à extrema direita. Com essa orientação, o ex-presidente Jair Bolsonaro, embora visto como um antigo aliado de Trump, pode perder influência na agenda regional do republicano. Ian Bremmer, presidente da consultoria de risco Europa, ressalta que Trump é “transacional” e prioriza quem está no poder, focando em parcerias estratégicas com quem possa ajudar a fortalecer a posição americana na região.
Outro ponto de tensão é a relação de Trump com Vladimir Putin, líder russo que Lula defende como peça-chave para uma solução de paz no conflito ucraniano. Caso eleito, Trump já declarou que reduziria o apoio militar e financeiro à Ucrânia, alinhando-se ao desejo brasileiro por negociações de paz. No entanto, isso pode vir acompanhado de uma política mais agressiva no Oriente Médio, onde Israel, liderado por Binyamin Netanyahu, poderia ver-se ainda mais encorajado em ações contra Gaza e o Líbano.
Em um cenário de vitória de Kamala Harris, o governo brasileiro espera uma continuidade das políticas de Biden, com diálogo mais aberto e alinhado aos valores democráticos e ambientais. Contudo, a complexidade da eleição americana leva a diplomacia brasileira a adotar uma postura pragmática, mantendo pontes de diálogo com ambos os lados até que o resultado seja decidido.
Foto reproduzida da Internet