O governo federal contestou ontem críticas feitas por familiares ao trabalho de localização e identificação de militantes políticos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia. Em nota oficial, representantes dos Ministérios da Defesa, Justiça e Direitos Humanos disseram que as críticas são “improcedentes” e que “todos os esforços possíveis estão sendo feitos para encontrar os desaparecidos e devolvê-los às famílias”.
Os familiares reclamam da ineficácia das ações do Grupo de Trabalho Araguaia, criado em 2009 para realizar as buscas na região da guerrilha, ocorrida entre 1972 e 1974 no sul do Pará. Até agora não se chegou a nenhum resultado conclusivo: nenhum guerrilheiro identificado. Atendendo a pedidos das famílias, a Corte Interamericana de Direitos Humanos, vinculada à OEA, já interpelou o governo brasileiro. O pedido de explicações foi revelado pelo Estadão, na edição de segunda-feira.
As famílias alegam que as expedições ao Araguaia agem de maneira errática. Poderiam obter resultados, dizem, se o governo abrisse os arquivos secretos das Forças Armadas sobre as operações na região. Segundo o militar da reserva Sebastião Curió, que participou das operações, 41 guerrilheiros foram executados na fase final da guerrilha. (O Estado de S. Paulo)