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Governo Lula aciona ONU e Fifa após denúncias de racismo na Copa do Mundo

Está no Brasil 247

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), formalizou denúncias à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Fifa sobre episódios de racismo, discriminação racial e discurso de ódio registrados durante a Copa do Mundo de 2026. A iniciativa tem como base um levantamento que analisou mais de seis milhões de publicações em plataformas digitais e identificou cerca de 89 mil conteúdos abusivos. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo [1].

Segundo o CNDH, aproximadamente 11% das publicações consideradas abusivas continham conteúdo de natureza racial. As representações foram encaminhadas ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (CCPR), à Relatoria Especial da ONU sobre Formas Contemporâneas de Racismo, ao Grupo de Trabalho da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos e também ao canal oficial de denúncias da Fifa.

Na manifestação enviada aos organismos internacionais, o conselho sustenta que os países-sede da competição, Estados Unidos, Canadá e México, além dos demais Estados envolvidos, têm obrigações previstas em tratados internacionais de direitos humanos para prevenir, investigar e responsabilizar autores de manifestações de ódio ocorridas sob suas respectivas jurisdições.

Em relação à Fifa, o documento solicita que a entidade avalie sua atuação à luz dos Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos, verificando se as medidas adotadas durante a competição foram compatíveis com os compromissos internacionais de proteção aos direitos fundamentais.

Entre os episódios mencionados pelo CNDH estão manifestações consideradas racistas dirigidas a atletas ao longo do torneio, além de declarações atribuídas a autoridades públicas e ataques disseminados em redes sociais e outras plataformas digitais.

De acordo com o órgão, o objetivo da representação é levar a ONU a analisar os casos para reforçar a adoção de medidas de prevenção, investigação, responsabilização dos envolvidos e reparação de violações de direitos humanos relacionadas à Copa do Mundo.

A presidente do CNDH, Ivana Leal, afirmou que os dados revelam a necessidade de uma atuação mais firme por parte dos Estados.

O relator do conselho, Carlos Nicodemos, destacou que os episódios registrados extrapolam o ambiente esportivo e exigem uma resposta articulada em âmbito internacional.

“O futebol reflete dinâmicas sociais e os episódios registrados durante a Copa evidenciam a necessidade de fortalecer mecanismos de proteção aos direitos humanos”, afirmou.

“Os dados reforçam a necessidade de os Estados adotarem medidas efetivas de prevenção, responsabilização e proteção das vítimas”, declarou.

Imagem reproduzida da Internet

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