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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera que o telefonema realizado nesta sexta-feira (21/8) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fortaleceu o canal de comunicação entre Brasília e Washington. Apesar do tom cordial, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que ainda é necessário acompanhar possíveis movimentos relacionados à eleição brasileira.
Segundo a CNN Brasil [1], a preocupação não está concentrada em uma eventual atuação direta de Trump ou da Casa Branca, mas em integrantes de outros escalões da administração estadunidense considerados próximos à família Bolsonaro, entre eles o secretário de Estado, Marco Rubio.
Eleição brasileira entra na conversa
Durante o telefonema, Trump perguntou a Lula sobre a disputa eleitoral brasileira. Lula teria se limitado a dizer que as campanhas já começaram e a defender o sistema eleitoral brasileiro. Aliados do presidente interpretaram a abordagem como uma “cortesia” do republicano.
No Planalto, a avaliação é de que uma conversa protocolar sobre as eleições ocorreria independentemente de quem estivesse na Presidência dos Estados Unidos e não exigiria explicações detalhadas do chefe do Executivo brasileiro.
Assessores avaliam também que o contato direto entre os presidentes dificulta eventuais manifestações de Trump sobre o processo eleitoral brasileiro. A cautela, porém, permanece em relação ao que integrantes do governo descrevem como um “redemoinho” nos escalões secundários da administração estadunidense, sob influência de Rubio ou de outras pessoas ligadas a bolsonaristas nos Estados Unidos.
Segundo o Planalto, Rubio e outros assessores de Trump não foram mencionados durante a conversa.
Canal direto entre Lula e Trump ganha força
A iniciativa do telefonema partiu de Lula, após conversas recentes do presidente brasileiro com o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
A ligação com Trump durou 1h20. Pelo lado brasileiro, acompanharam a chamada o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e outros assessores. Apenas os dois presidentes, entretanto, participaram diretamente da conversa.
Integrantes do governo destacaram a duração do telefonema como demonstração de que existe um canal aberto de diálogo entre Brasília e Washington.
Segundo o Planalto, Lula apresentou os argumentos brasileiros contra algumas medidas adotadas pelo governo americano. Apesar das divergências, a conversa transcorreu de maneira cordial e amistosa, sem discussões entre os presidentes.
Tarifaço também é discutido
Um dos pontos apresentados por Lula foi o tarifaço de até 37,5%, considerado infundado pelo governo brasileiro.
Trump não assumiu compromissos específicos, mas, conforme a avaliação relatada pelo Planalto, concordou de maneira geral com as observações apresentadas pelo presidente brasileiro e sinalizou abertura para a continuidade das conversas.
As equipes técnicas de Brasil e Estados Unidos deverão permanecer em contato.
Apesar da retomada do diálogo presidencial, a avaliação no governo brasileiro é de que dificilmente ocorrerão grandes mudanças antes das eleições de outubro no Brasil.
A questão comercial é apenas uma das fontes de desgaste entre Brasília e Washington. Além das tarifas, os Estados Unidos aplicaram sanções e retiraram vistos de autoridades brasileiras. Segundo o Planalto, porém, esses assuntos não foram abordados no telefonema.
Segurança pública e guerras entram na pauta
Segurança pública e organizações criminosas também fizeram parte da conversa.
Lula afirmou a Trump que o Brasil não precisa classificar esses grupos como terroristas para combater o crime organizado.
Os dois presidentes também abordaram crimes de dimensão global e as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.
Foto: Reprodução/Instagram/@FlavioBolsonaro via BBC
Em tempo: confira artigo de João Filho, cientista social e jornalista, autor do Jornalismo Wando publicado no Blog clicando aqui [2]