Reportagem de Fabiane leite no Estadão diz que os resultados das primeiras autópsias de brasileiros que morreram por causa da gripe suína mostram um cenário de danos ao organismo que remonta às epidemias de influenza de 1918, 1954 e 1968: destruição dos alvéolos pulmonares, hemorragia alveolar, inflamação necrótica dos bronquíolos e sinais de falência múltipla dos órgãos. Os exames indicam também ter havido uma resposta exagerada do sistema imunológico contra o vírus, o que acabou por prejudicar os pulmões das vítimas.
No trabalho inédito de análise dos tecidos de 21 pessoas mortas pelo H1N1, cientistas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP apontam ainda que os piores danos pulmonares ocorreram na única paciente grávida analisada, o que confirma a importância da priorização dada a essas pacientes durante a epidemia.
O estudo foi publicado em outubro na revista científica American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine e é um dos primeiros a revelar o resultado de autópsias de vítimas da nova gripe. “Em um cenário em que poucas autópsias foram realizadas, o estudo demonstra a extrema utilidade do procedimento (…) para o conhecimento da nova doença”, afirmam os autores do trabalho, liderados por Thais Mauad. “Mostramos que o pulmão é o órgão mais afetado, o que não é diferente das outras pandemias.
Análise da Notícia
A notícia é preocupante sobretudo porque me parece não estão dando a importância devida ao assunto. Em Natal (RN), por exemplo, onde o número de casos tem crescido já tendo havido nove óbitos confirmados, as autoridades sanitárias estão encarando a gripe suína como uma outra qualquer, embora a Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia já tenha alertado para o perigo da contaminação em massa. A imprensa, por sua vez, tem falado, embora isoladamente. Aqui e acolá se vê colegas chamando a atenção em blogs sobre a gripe suína. É preciso esclarecer mais à população sobre os riscos da doença. A reportagem do Estadão é assustadora. Que as autoridades sanitárias no Brasil e no caso de Natal comecem a repensar a maneira de agir com relação a doença. A conferir!