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Groenlândia ameaçada e `fim da Otan´: entenda o que Trump disse sobre o território e como a Europa está reagindo

Está no g1

A Casa Branca afirmou na terça-feira (6) que o presidente dos Estados Unidos [1]Donald Trump [2], está discutindo opções para adquirir a Groenlândia [3]. Entre as hipóteses avaliadas está o uso das Forças Armadas [4]. O tema tem gerado repercussão internacional, principalmente na Europa.

 Contexto: Em comunicado enviado à agência Reuters, a Casa Branca disse que a Groenlândia é estratégica para os Estados Unidos para conter adversários na região do Ártico. O governo disse que várias opções de política externa estão sendo analisadas.

“A Groenlândia é sobre a paz mundial. Precisamos da Groenlândia. É muito importante para a segurança internacional. Se você olhar para as hidrovias, verá que há navios chineses e russos por todo lugar… Não estamos contando com a Dinamarca [5] ou qualquer outro país para cuidar dessa situação”, afirmou em março.

Em dezembro, Trump nomeou o governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para tratar do território. À época, o presidente norte-americano voltou a afirmar que precisava da Groenlândia.

O movimento gerou críticas da Dinamarca e da Groenlândia. À época, o ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, convocou o embaixador dos EUA em Copenhague e classificou as declarações como inaceitáveis.

O governo groenlandês afirmou que apenas a ilha pode decidir sobre o próprio futuro.

Novas tensões e reação europeia

O assunto voltou a ganhar força no sábado (3), após os Estados Unidos realizarem uma operação militar na Venezuela que resultou no sequestro do ditador Nicolás Maduro [6].

Poucas horas depois, Katie Miller, esposa do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, publicou em uma rede social um mapa da Groenlândia coberto pela bandeira dos EUA, com a legenda “em breve”. Veja abaixo.

A publicação foi interpretada por autoridades europeias como uma ameaça e aumentou o temor de que a Groenlândia pudesse enfrentar uma situação semelhante à da Venezuela.

⚠️ Reação: Nesta terça-feira, líderes da França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Dinamarca divulgaram um comunicado conjunto afirmando que “a Groenlândia pertence ao seu povo” e que apenas Dinamarca e Groenlândia podem decidir sobre o futuro do território.

“Se os Estados Unidos decidirem atacar militarmente outro país da Otan, então tudo para. Inclusive a nossa Otan e a segurança implementada desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, disse à, assegurando que está fazendo “tudo o que é possível” para evitar que isso aconteça.

Um dia antes, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, usou as redes sociais para reclamar das atitudes dos Estados Unidos.

“Já chega! Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação”, escreveu.

A Dinamarca anunciou no ano passado um investimento de 42 bilhões de coroas dinamarquesas (R$ 35,4 bilhões) para reforçar sua presença militar no Ártico.

Interesses na Groenlândia

A Groenlândia está geograficamente localizada no continente norte-americano, mas mantém fortes vínculos com a Dinamarca. A ilha, que foi uma colônia dinamarquesa, passou a integrar o Reino da Dinamarca em 1953 e segue a Constituição dinamarquesa.

Em 2009, a Dinamarca autorizou a Groenlândia a formar um governo próprio e autônomo, abrindo a possibilidade de uma declaração de independência por meio de referendo.

👀 Interesses: Os Estados Unidos consideram a Groenlândia um território estratégico para a segurança nacional. A ilha poderia abrigar sistemas de defesa capazes de interceptar mísseis vindos da Europa ou do Ártico.

A população da Groenlândia poderia votar pela independência e aprovar, em referendo, uma associação aos Estados Unidos. Especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que a probabilidade de isso ocorrer é baixa.

Foto reproduzida da Internet


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