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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva [1](PT) declarou neste sábado (15) que, enquanto estiver no cargo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad [2], “jamais ficará enfraquecido”.
Lula voltou a defender Haddad ao final da viagem que fez à Suiça e Itália para encontros da Organização Internacional do Trabalho [3] (OIT) e do G7, grupo que reúne nações democráticas mais ricas do mundo: [4] Estados Unidos (EUA), Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão.
De acordo com a colunista do g1 Andréia Sadi [5], o ministro da Fazenda recebe pressão de setores do PT e também tem sido questionado pelo mercado financeiro acerca de sua capacidade para concretizar a agenda econômica do governo e equilibrar as contas públicas.
Questionado sobre a situação de Haddad e a intenção de cortar gastos [6], Lula fortaleceu a posição do ministro no governo.
“O Haddad jamais ficará enfraquecido enquanto eu for o presidente da República porque ele é o meu ministro da Fazenda, escolhido por mim e mantido por mim”, disse o presidente na Itália.
Diante da pressão do mercado, Haddad afirmou nesta semana que a equipe econômica do governo vai intensificar a agenda de trabalho em relação aos gastos públicos, e que deve focar, nas próximas semanas, em fazer uma revisão “ampla, geral e irrestrita” das despesas [7].
Lula comentou o tema na Itália. O presidente afirmou que não fará ajuste de contas “em cima dos pobres”. O presidente fez o comentários em meio à pressão para que o governo modifique regras que tratam dos investimentos mínimos em saúde e educação.
Lula repetiu que empresários e senadores [8] terão de encontrar uma saída para compensar as despesas com a desoneração da folha de pagamentos, já que o Senado devolveu a medida provisória que alterava regras do PIS/Cofins para elevar receitas.
O presidente disse que pediu ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, uma reunião na próxima semana para discutir o orçamento federal.
“Eu quero fazer a discussão sobre o orçamento e quero discutir os gastos. Porque, o que muita gente acha que é gasto, eu acho que é investimento”, afirmou Lula.
Guerras
Lula reforçou as críticas ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, [9] por conta da ofensiva militar na Faixa de Gaza. O presidente repetiu que ocorre um “genocídio” de mulheres e crianças palestinos.
“O primeiro-ministro de Israel não quer resolver o problema. Ele quer aniquilar os palestinos. Vamos ver se ele vai cumprir a decisão do Tribunal Penal Internacional, vamos ver se ele vai cumprir a decisão tirada da ONU agora”, disse Lula.
Recentemente, uma resolução aprovada no Conselho de Segurança da ONU [10] pediu que Israel e o Hamas implementem com urgência o plano dos Estados Unidos para um cessar-fogo na Faixa de Gaza.
Lula também voltou a afirmar que é preciso encerrar a guerra entre Ucrânia e Rússia [11], mas que só acredita em um acordo de paz caso os dois países sentem para negociar.
Mercosul x União Europeia
Lula afirmou que retorna ao Brasil otimista para que Mercosul e União Europeia finalmente assinem as mudanças no acordo de livre comércio entre os blocos [12].
O presidente reconheceu que a definição pode demorar em razão da eleição na França e do processo que poderá reconduzir Ursula Von der Leyen para o comando da Comissão Europeia.
Lula disse que conversou com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com o primeiro-ministro da Alemanha, Olaf Scholz, sobre a recente eleição do parlamento europeu, marcada pelo aumento do espaço da extrema-direita [13].
“Vou levar os ensinamentos para casa”, disse Lula.
Energia elétrica em São Paulo
Lula afirmou que conversou com representantes da Enel [14], empresa responsável pelo fornecimento de energia elétrica em São Paulo e outros 24 municípios da região metropolitana.
A empresa é alvo de críticas e multas por conta de problemas na prestação do serviço [14]. O episódio mais recente ocorreu em março, quando moradores e comerciantes no Centro de São Paulo ficaram mais de uma semana no escuro em razão de problemas na rede subterrânea da empresa. No período, até a Santa Casa de Misericórdia foi afetada.
Lula disse que a Enel se comprometeu a ampliar investimentos e que avalia renovar o contrato da empresa.
“Estamos conversando com eles. A gente está disposto a renovar o acordo se eles assumirem compromisso de fazer investimentos. Eles assumiram o compromisso: ao invés de investir R$ 11 bilhões, eles vão investir R$ 20 bilhões nos próximos anos três anos, prometendo que não haverá mais apagão em nenhum lugar em que eles são responsáveis pela energia”, disse Lula.
O presidente declarou que na próxima semana receberá proposta do Ministério de Minas e Energia para avaliar a renovação.
Foto reproduzida da Internet